quarta-feira, setembro 9, 2026
25 C
Cuiabá
spot_img
NOTÍCIARússia volta a atacar Kiev após saída de enviados de Trump

Rússia volta a atacar Kiev após saída de enviados de Trump

Bombardeios com mísseis e drones deixaram mortos e feridos, além de atingir prédios residenciais; Ucrânia acusa Moscou de ampliar ofensiva durante esforço diplomático

🕒 Publicado em 08/09/2026 às 08:00

A capital da Ucrânia voltou a ser alvo de uma grande ofensiva russa na madrugada desta terça-feira (8), poucas horas depois da saída de Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estavam em Kiev para tratar das negociações de paz.

Segundo autoridades ucranianas, os ataques com mísseis e drones deixaram pelo menos duas pessoas mortas e dez feridas. A ofensiva também provocou incêndios e danos em imóveis residenciais e outros prédios da capital.

O novo ataque acontece em um momento de intensificação dos esforços diplomáticos para tentar encontrar uma solução para a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada após a invasão russa em fevereiro de 2022.

Prédios residenciais são atingidos

Explosões foram registradas durante a madrugada em diferentes áreas da Ucrânia.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que moradores chegaram a ficar presos dentro de um edifício residencial após os ataques.

A administração militar da capital afirmou que destroços de mísseis atingiram um prédio de cinco andares e outro edifício residencial de três pavimentos.

Ao menos 14 prédios, um alojamento estudantil, uma escola, uma clínica e galpões teriam sido danificados, segundo autoridades ucranianas.

A Força Aérea da Ucrânia informou que a Rússia lançou dezenas de mísseis e 166 drones durante a madrugada, com concentração dos ataques principalmente na região de Kiev e nas proximidades de Odessa.

Segundo os militares ucranianos, foram interceptados 142 drones, 31 dos 32 mísseis de cruzeiro e dois mísseis balísticos.

Ucrânia relaciona ataque à saída dos negociadores americanos

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, relacionou a nova ofensiva ao momento diplomático envolvendo os Estados Unidos.

Em uma publicação nas redes sociais, o chanceler afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, teria ordenado um novo ataque de grande escala logo após a saída dos representantes americanos de Kiev.

Sybiha pediu aumento da pressão internacional sobre Moscou e reforço da defesa aérea ucraniana.

“Os mísseis balísticos falam mais alto que as palavras sobre diplomacia”, afirmou o ministro.

A Rússia, por outro lado, apresentou uma versão diferente sobre os alvos da operação.

Rússia diz ter atingido alvos militares

O Ministério da Defesa russo afirmou que os ataques tiveram como objetivo instalações militares e logísticas localizadas em Kiev e em áreas próximas à capital.

Segundo o governo russo, operações também foram realizadas contra alvos no porto de Chornomorsk, no Mar Negro.

A versão apresentada por Moscou não coincide com os relatos das autoridades ucranianas sobre os danos provocados em áreas residenciais e estruturas civis.

Ataques também atingem território russo

Enquanto Kiev era novamente bombardeada, autoridades russas relataram ataques realizados por drones ucranianos contra alvos em território da Rússia.

Na região de Saratov, às margens do rio Volga, autoridades afirmaram que drones atingiram infraestrutura civil e deixaram pessoas feridas.

A região abriga uma grande refinaria da estatal Rosneft, além de outras instalações industriais e militares.

Na região de Bryansk, próxima à fronteira com a Ucrânia, uma pessoa morreu após um ataque registrado na cidade de Starodub, segundo o governador interino Yegor Kovalchuk.

Polônia coloca forças aéreas em operação

A intensidade dos ataques levou a Polônia a adotar medidas preventivas.

O país, que integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Europeia, mobilizou aeronaves e realizou operações aéreas em resposta à ofensiva russa.

O aeroporto de Lublin, no leste polonês, chegou a suspender temporariamente as operações.

O episódio ocorre em meio às preocupações de países europeus com a expansão do uso de drones no conflito.

Segundo levantamento citado na reportagem, drones russos e ucranianos já teriam cruzado ou caído em pelo menos 20 países europeus nos últimos dois anos, aumentando o temor de uma escalada envolvendo Moscou e países da Otan.

Reino Unido anuncia novo pacote de ajuda

Também nesta terça-feira, o Reino Unido anunciou um pacote de 100 milhões de libras, equivalente a aproximadamente R$ 692 milhões, destinado ao fortalecimento da defesa aérea da Ucrânia.

O auxílio inclui o fornecimento de mísseis Patriot.

O objetivo é aumentar a capacidade ucraniana de interceptar mísseis e drones durante os ataques russos.

Negociações de paz continuam sem definição

Os novos bombardeios acontecem poucos dias depois de Witkoff e Kushner participarem de reuniões em Moscou e Kiev.

Os dois representantes do governo Trump vêm atuando nas tentativas de aproximar Rússia e Ucrânia e impulsionar uma negociação capaz de colocar fim ao conflito.

Na segunda-feira (7), houve uma nova rodada de contatos entre representantes dos três países. Apesar das conversas, ainda não existe uma definição sobre quando ou onde poderá ocorrer um novo encontro entre os principais líderes envolvidos nas negociações.

Zelensky classificou os contatos recentes como “construtivos” e afirmou que novos esforços diplomáticos estão sendo preparados.

Segundo o presidente ucraniano, as discussões envolveram questões relacionadas à defesa aérea, cooperação tecnológica e apoio internacional diante das necessidades do país para o próximo inverno.

O novo ataque contra Kiev, entretanto, evidencia a dificuldade de conciliar o avanço das negociações diplomáticas com a continuidade das operações militares.

COLUNAS
spot_img
NOTICIAS
spot_img
LEIA MAIS