Durante o mês de junho, marcado pela campanha nacional que incentiva a doação regular de sangue, o MT Hemocentro — principal banco de sangue público de Mato Grosso — enfrenta um desafio preocupante: a diminuição significativa no número de doadores.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) revelam que entre janeiro e maio de 2025 houve uma redução de 15% no número de pessoas cadastradas para doar sangue em relação ao mesmo período do ano anterior. O total de candidatos caiu de 12.811 para 10.876. Já as doações realizadas sofreram uma queda de 13,4%, passando de 11.338 para 9.810.
Apesar de haver mais de 91 mil pessoas registradas no banco de dados do Hemocentro, a maioria não mantém uma frequência regular nas doações, o que compromete o estoque necessário para atender à demanda dos hospitais.
De acordo com Arnildo Mendes, gerente de doação do MT Hemocentro, um dos fatores que influenciaram essa retração foi o aumento dos casos de arboviroses, como dengue e chikungunya. “Muitos voluntários ficaram impossibilitados de doar devido aos sintomas persistentes dessas doenças. No caso da chikungunya, os efeitos podem durar semanas, impedindo a pessoa de participar do processo de doação”, explica.
Exemplo de dedicação
Luciano Barbosa da Silva, de 28 anos, é um exemplo de compromisso com a causa. Morador do Residencial Coxipó, ele doa sangue a cada três meses há três anos. Recentemente, foi reconhecido como “Doador Ouro” após realizar sua primeira doação de plaquetas — um procedimento mais complexo e demorado, que exige maior acompanhamento da equipe técnica.
Segundo a enfermeira Thayna Obici, que acompanhou a coleta, a doação de plaquetas dura em média uma hora e meia e requer cuidados específicos, como a manutenção da pulsão venosa durante todo o processo.
Luciano, que possui sangue do tipo O negativo — considerado raro — entende a importância da sua contribuição. “Sei que esse tipo sanguíneo é difícil de encontrar. Doo porque sei da necessidade de outras pessoas e, se um dia eu precisar, espero contar com a mesma solidariedade”, afirma.




