O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou que cerca de 44,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não serão impactadas pela nova tarifa de 50% imposta pelo governo americano. A cobrança foi determinada por uma ordem executiva assinada no último dia 30 de julho e passou a valer nesta terça-feira (6).
Segundo o MDIC, a medida não se aplica a uma lista de aproximadamente 700 produtos, entre eles aeronaves, petróleo, minério de ferro, celulose e suco de laranja — itens com forte presença na pauta exportadora nacional. Os dados contrariam declarações anteriores do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que havia apontado um impacto mais abrangente.
O levantamento preliminar da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao MDIC, aponta que 35,9% das exportações brasileiras aos EUA deverão ser atingidas diretamente pela nova tarifa, o que representa cerca de US$ 14,5 bilhões em 2024. Já os produtos fora da cobertura da ordem executiva somam US$ 18 bilhões, ou 44,6% do total exportado.
Outros 19,5% das exportações seguem sendo tributados por tarifas já existentes, ligadas a dispositivos como a Seção 232, que trata de segurança nacional. Essa parcela representa aproximadamente US$ 7,9 bilhões e inclui produtos como autopeças, que já são taxadas em 25%, independentemente do país de origem.
De acordo com o MDIC, 64,1% das exportações brasileiras continuarão competindo normalmente no mercado norte-americano, em condições similares às de outros países. A pasta também destacou que cargas em trânsito não serão afetadas pela nova tarifa, desde que tenham sido embarcadas no Brasil até sete dias após a assinatura da ordem executiva e atendam aos critérios definidos.
A exclusão de uma parte significativa dos produtos brasileiros da nova taxa é vista como um alívio parcial para o setor exportador, que segue atento aos desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos.




