Durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) na última terça-feira (17.06), o promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto, que atua na área da saúde pública em Cuiabá, manifestou preocupação com a estrutura do novo Hospital Universitário da UFMT, que está em fase final de construção.
Segundo Mattos, a unidade — que será referência para atendimentos de alta complexidade, incluindo gestantes de alto risco — não prevê a instalação de leitos de UTI neonatal e contará com apenas 20 leitos de UTI geral. “Um hospital com esse perfil não pode ser inaugurado sem UTI neonatal. Isso precisa ser corrigido urgentemente”, alertou.
O promotor relatou que frequentemente recebe pedidos desesperados de médicos e profissionais da Vara da Infância solicitando vagas para recém-nascidos em situação crítica. “Outro dia nasceram trigêmeos e não havia onde internar. Isso é inadmissível”, disse.
Além disso, Mattos criticou a escassez de profissionais em áreas essenciais, como genética médica, mencionando que há apenas dois geneticistas atuando em todo o estado. Ele também sugeriu que o governo estadual assuma a gestão do hospital por meio de contrato, como já ocorre com outras unidades, para garantir melhor funcionamento e sustentabilidade do serviço.
Investimento e Projeções para o Hospital Júlio Muller
O novo Hospital Universitário Júlio Muller, que está sendo construído com investimento conjunto de R$ 221 milhões dos governos federal e estadual, deverá ser entregue até o final de 2025. Com 58,3 mil metros quadrados, será a maior estrutura hospitalar pública de Mato Grosso, contando com cerca de 300 leitos e diversos serviços especializados.
Participaram da visita técnica à obra e da audiência pública o presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), Arthur Chioro, o deputado Lúdio Cabral (PT), a reitora da UFMT, Marluce Silva, e o superintendente do hospital, Reinaldo Gaspar. O debate reforçou a necessidade de definir o perfil assistencial da nova unidade e garantir recursos para seu pleno funcionamento.




