sábado, setembro 5, 2026
31 C
Cuiabá
spot_img
NOTÍCIAPreta Gil: Ícone da Música, Diversidade e Coragem, Morre aos 50 Anos

Preta Gil: Ícone da Música, Diversidade e Coragem, Morre aos 50 Anos

Cantora faleceu neste domingo (20/7), nos Estados Unidos, após uma longa batalha contra o câncer. Mulher potente, ativista e referência cultural, Preta deixa legado artístico e humano inspirador.

🕒 Publicado em 20/07/2025 às 19:32

Neste domingo, 20 de julho, o Brasil se despede de uma das vozes mais marcantes de sua cultura contemporânea. Preta Gil, cantora, empresária, apresentadora e ativista, morreu aos 50 anos em sua residência nos Estados Unidos, onde seguia em tratamento contra um câncer. A notícia foi confirmada por sua equipe e familiares, que já preparam um comunicado oficial.

Preta enfrentava a doença desde janeiro de 2023, quando foi diagnosticada com um câncer no intestino. Apesar da remissão anunciada no fim de 2023, novos tumores foram detectados em agosto de 2024. Desde então, seu estado de saúde exigiu novos ciclos de quimioterapia, radioterapia e cirurgias. A última internação ocorreu após uma piora significativa, relatada por sua assessoria no dia 16 de julho. Amigos próximos e familiares, como Carolina Dieckmann e o filho Francisco Gil, estavam ao seu lado nos Estados Unidos.

Filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha, Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu em 8 de agosto de 1974, no Rio de Janeiro, em um berço cultural cercado por ícones como Caetano Veloso e Gal Costa. Mas foi por seus próprios méritos que se tornou uma figura de destaque na música brasileira e na luta por representatividade.

Uma vida de enfrentamentos e superações

Mulher preta, bissexual e fora dos padrões estéticos impostos pela sociedade, Preta sempre fez de sua existência um ato de resistência. Desde criança, enfrentou racismo, gordofobia e homofobia. Ainda adolescente, foi expulsa de um colégio tradicional no Rio após protestar contra uma fala homofóbica de uma professora. Em outro episódio, sua mãe precisou intervir após ataques racistas de pais de colegas.

Em sua autobiografia “Os Primeiros 50”, Preta revelou detalhes da sua sexualidade e contou histórias de sua juventude, como seu primeiro namoro com uma mulher e os desafios de crescer sob os holofotes por ser filha de um dos maiores nomes da música brasileira. Ela também compartilhou dores pessoais, como o falecimento do irmão Pedro Gil e dois abortos espontâneos.

Carreira artística e legado

Apesar de ter começado nos bastidores como produtora e publicitária, Preta decidiu abraçar a carreira musical aos 28 anos. Lançou seu primeiro álbum, “Prêt-à-Porter”, em 2003, cuja capa — onde aparecia nua — foi um marco de ousadia e libertação. Desde então, lançou outros álbuns como “Sou Como Sou” e “Todas as Cores”, e promoveu parcerias com nomes como Marília Mendonça, Pabllo Vittar e Gal Costa.

Fundadora do Bloco da Preta, um dos maiores do Carnaval carioca, a artista também brilhou como atriz e apresentadora, participando de novelas da Globo e da Record, além de reality shows e programas musicais.

Fora dos palcos, ela também foi uma potência nos negócios. Preta era sócia da agência Mynd, focada em marketing de influência e diversidade, consolidando seu papel como empreendedora e articuladora cultural.

Amores e maternidade

Preta teve um único filho, Francisco Gil, fruto do casamento com o ator Otávio Müller. Francisco seguiu os passos da família na música e é integrante do trio Gilsons. Avó dedicada, Preta era próxima da neta Sol de Maria.

Em 2015, casou-se com Rodrigo Godoy. A união terminou em 2023, após uma separação conturbada durante seu tratamento de câncer. Preta falou publicamente sobre a dor do rompimento e como buscou forças na fé, na arte e na maternidade para seguir em frente.

Luta contra o câncer: coragem e conscientização

Preta foi exemplo de transparência ao compartilhar sua luta contra o câncer. Falou abertamente sobre os sintomas, a importância do diagnóstico precoce e os desafios do tratamento. Em entrevistas, chegou a dizer que “olhar as fezes pode salvar vidas” — chamando atenção para sintomas muitas vezes ignorados. Após um período de remissão, a doença retornou em forma de metástases, levando a cantora a intensificar o tratamento fora do Brasil.

Mesmo diante das dificuldades, ela manteve o discurso de esperança. Em 2024, chegou a comemorar os 15 anos do Bloco da Preta com o tema “Eu Venci”, demonstrando sua força e otimismo.

Legado

Preta Gil não foi apenas artista. Foi símbolo de resistência, empoderamento, autenticidade e afeto. Deixou um legado artístico relevante e uma trajetória marcada por coragem e verdade. Sua partida representa uma perda irreparável para a cultura brasileira, mas seu impacto continuará vivo nas ruas, nos palcos, nas redes e nos corações de milhões de brasileiros.

COLUNAS
spot_img
NOTICIAS
spot_img
LEIA MAIS