A Polícia Federal realizou, na manhã desta quinta-feira (25), uma nova ofensiva para aprofundar as investigações sobre as fraudes contábeis que culminaram na recuperação judicial da Americanas. A operação cumpre nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de solicitar o bloqueio de aproximadamente R$ 54 bilhões em bens e ativos financeiros.
A ação representa um desdobramento das investigações iniciadas em 2024 e foi autorizada pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.
Entre os investigados estão executivos de grandes instituições financeiras, ex-integrantes da administração da Americanas e acionistas ligados ao grupo controlador da companhia.
Alvos da operação
Os mandados atingem:
- Alexandre Abdo, executivo do Santander;
- André Almeida, executivo do Santander;
- Carlos Alberto Sicupira, acionista da Americanas;
- Carlos Henrique Villela Pedras, executivo do Bradesco;
- Eduardo Saggioro, ex-integrante do conselho da Americanas;
- Gustavo Balassiano, executivo do Itaú;
- José Rudge, executivo do Itaú;
- Paulo Alberto Lemann, ex-conselheiro da Americanas e filho do empresário Jorge Paulo Lemann;
- Sérgio Rial, ex-presidente da Americanas e ex-CEO do Santander.
Investigação apura conhecimento sobre fraudes
De acordo com a Polícia Federal, as apurações buscam esclarecer se os investigados tinham conhecimento das supostas irregularidades contábeis praticadas durante anos pela varejista.
Entre os fatos investigados estão operações de risco sacado e contratos de Verba de Propaganda Cooperada (VPC), que, segundo os investigadores, teriam sido registrados sem respaldo econômico.
As suspeitas envolvem, em tese, os crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.
Empresa afirma que não é alvo
Em nota oficial, a Americanas informou que não é alvo da operação e declarou que continuará colaborando com as autoridades, ressaltando ser a principal interessada no completo esclarecimento dos fatos.
A companhia enfrenta um processo de recuperação judicial desde a revelação de inconsistências contábeis estimadas em cerca de R$ 20 bilhões.
Também por meio de nota, a LTS, holding que reúne Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, afirmou ter sido surpreendida pela operação e reiterou que seus acionistas de referência foram enganados pela antiga diretoria da empresa.
Segundo a manifestação, o grupo afirma colaborar com as investigações desde janeiro de 2023, quando tomou conhecimento das fraudes contábeis, e informou que ainda aguarda acesso integral à decisão judicial para eventual posicionamento complementar.
Até a última atualização, os demais investigados não haviam se manifestado sobre a operação.




