Uma grande operação de busca realizada no estado de Ohio, nos Estados Unidos, terminou com a localização de 79 crianças e adolescentes que estavam desaparecidos ou considerados em situação de risco. A ação, denominada Operação Meridian, foi conduzida durante o mês de agosto e anunciada pelas autoridades nesta terça-feira (8).
Segundo o Serviço de Delegados dos Estados Unidos (USMS), os menores tinham entre 6 e 17 anos e estavam envolvidos em diferentes situações, incluindo suspeitas de tráfico sexual, abusos físicos e emocionais, negligência e fugas de casa.
As equipes de investigação trabalharam em várias regiões de Ohio e, em alguns casos, seguiram informações que levaram a outros estados, como Geórgia e Michigan.
Irmãs são encontradas em Columbus
Entre os casos investigados estavam os de duas irmãs, de 13 e 16 anos, que desapareceram em períodos diferentes.
A adolescente mais nova estava desaparecida desde julho de 2024 e foi encontrada em Columbus em uma situação considerada incomum: ela estava escondida em um espaço localizado sob o piso de um quarto, dentro de um armário.
Durante a ação, a mãe das duas meninas foi presa em razão de um mandado relacionado a uma violação de liberdade condicional.
A irmã mais velha foi localizada posteriormente em um restaurante.
Adolescente já havia sido identificada como vítima de tráfico
Outro caso envolveu uma adolescente de 16 anos, encontrada em Toledo depois de ter sido dada como desaparecida em 18 de agosto.
De acordo com as autoridades, a jovem já havia sido identificada anteriormente como vítima de tráfico humano.
Os investigadores localizaram um homem que estaria com a adolescente e, a partir das informações obtidas, conseguiram encontrar a jovem.
Após ser localizada, ela recebeu atendimento médico e foi encaminhada a um hospital para avaliação. As autoridades continuam investigando possíveis crimes relacionados ao homem identificado no caso.
Crianças recebem atendimento após serem localizadas
O trabalho das equipes não terminou com a localização dos menores.
Após os resgates, as autoridades passaram a atuar em conjunto com serviços de proteção à infância e às famílias para encaminhar as crianças e adolescentes para atendimento médico, psicológico e social, conforme as necessidades de cada caso.
O USMS informou que a intenção é garantir acompanhamento também depois da operação, incluindo suporte psicológico, assistência especializada e, quando possível e adequado, processos de reunificação familiar.
A estratégia busca evitar que o atendimento termine simplesmente no momento em que uma criança é encontrada.
Operação reuniu diversas forças de segurança
A Operação Meridian envolveu dezenas de órgãos policiais e de investigação de Ohio, além de agências federais.
Entre as instituições participantes estavam:
- Serviço de Delegados dos Estados Unidos (USMS);
- FBI, a polícia federal americana;
- HSI, responsável por investigações de segurança interna;
- HUD-OIG, escritório do inspetor-geral do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano;
- órgãos estaduais e autoridades policiais locais.
A atuação conjunta permitiu cruzar informações de diferentes jurisdições e ampliar a área de busca.
Sobrevivente de sequestro participou da preparação
Antes do início da operação, a equipe recebeu o relato de Amanda Berry, uma das sobreviventes de um conhecido caso de sequestro ocorrido em Cleveland.
Berry permaneceu anos em cativeiro antes de ser resgatada e compartilhou sua experiência com os investigadores envolvidos na operação.
Para o delegado Pete Elliott, a localização de cada criança representa uma mudança significativa na vida do menor. Segundo ele, cada recuperação significa retirar uma criança de uma situação de perigo.
USMS considera operação concluída
Com a localização dos 79 casos, o Serviço de Delegados dos Estados Unidos informou que a Operação Meridian foi concluída.
Além de encontrar os menores, a iniciativa buscou identificar situações de vulnerabilidade e encaminhar as crianças para uma rede de proteção capaz de oferecer atendimento após o resgate.
O caso também evidencia a complexidade das investigações envolvendo crianças desaparecidas, que podem exigir atuação simultânea de diferentes órgãos e, em determinadas situações, ultrapassar as fronteiras de um único estado americano.




