O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um novo apelo à comunidade internacional para ampliar o apoio ao Haiti durante visita oficial ao país nesta terça-feira (17). Segundo ele, a crise humanitária haitiana é atualmente a mais grave e a que mais se deteriora em todo o Hemisfério Ocidental.
Durante a agenda, Guterres visitou um acampamento que abriga pessoas deslocadas pela violência, reuniu-se com integrantes da força internacional responsável por apoiar o combate às gangues e também manteve encontro com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aimé.
Na ocasião, o chefe da ONU reforçou a necessidade de acelerar o processo de transição política no país, destacando que os próprios haitianos devem conduzir o futuro da nação, com o suporte da comunidade internacional.
Violência deixa milhares de vítimas
O Haiti enfrenta uma grave crise de segurança, marcada pelo avanço de grupos armados que dominam parte da capital, Porto Príncipe. O país não realiza eleições desde 2016 e é administrado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé.
De acordo com dados das Nações Unidas, somente neste ano a violência já provocou mais de 2,3 mil mortes e cerca de 1,1 mil pessoas ficaram feridas.
A ONU destaca que mulheres e crianças são as principais vítimas do cenário de insegurança. O número de menores recrutados por gangues triplicou no período de apenas um ano, enquanto a violência de gênero continua aumentando, com uma média superior a 20 mulheres e meninas agredidas diariamente.
Falta de recursos preocupa a ONU
Além da crise de segurança, o país enfrenta uma situação humanitária crítica. Cerca de 6 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar e aproximadamente 1,5 milhão tiveram que abandonar suas casas por causa da violência. O Haiti possui uma população estimada em 12 milhões de habitantes.
Apesar de quase 3 milhões de haitianos terem recebido assistência humanitária no último ano, a ONU afirma que as operações continuam limitadas pela falta de financiamento internacional. O Plano de Resposta Humanitária arrecadou apenas 25% dos US$ 880 milhões considerados necessários para atender à população em 2026.
Segundo Guterres, o Haiti não pede caridade, mas o cumprimento dos compromissos assumidos pela comunidade internacional diante da gravidade da situação.
Mesmo com o cenário preocupante, o secretário-geral afirmou enxergar sinais de recuperação gradual em algumas áreas de Porto Príncipe, onde o Estado começa a retomar o controle de bairros anteriormente dominados por grupos criminosos.
Referência à independência do Haiti
Durante a visita, António Guterres também citou a histórica Batalha de Vertières, travada em 1803 contra o domínio francês e considerada decisiva para a independência do Haiti.
A referência ocorre poucos dias após a seleção haitiana ser obrigada pela Fifa a alterar o uniforme utilizado na Copa do Mundo por conter uma ilustração que homenageava os revolucionários responsáveis pela independência do país.
Para Guterres, o espírito de resistência demonstrado pelos haitianos naquela conquista histórica permanece vivo e representa a força de uma população que continua enfrentando desafios extremos sem perder a esperança.
**Informações via Agência Brasil




