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ONU alerta que crise humanitária no Haiti se agrava e cobra maior apoio internacional

Em visita ao país, António Guterres pede ação urgente da comunidade internacional e afirma que milhões de haitianos enfrentam violência, fome e deslocamento

🕒 Publicado em 17/06/2026 às 15:44

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, fez um novo apelo à comunidade internacional para ampliar o apoio ao Haiti durante visita oficial ao país nesta terça-feira (17). Segundo ele, a crise humanitária haitiana é atualmente a mais grave e a que mais se deteriora em todo o Hemisfério Ocidental.

Durante a agenda, Guterres visitou um acampamento que abriga pessoas deslocadas pela violência, reuniu-se com integrantes da força internacional responsável por apoiar o combate às gangues e também manteve encontro com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aimé.

Na ocasião, o chefe da ONU reforçou a necessidade de acelerar o processo de transição política no país, destacando que os próprios haitianos devem conduzir o futuro da nação, com o suporte da comunidade internacional.

Violência deixa milhares de vítimas

O Haiti enfrenta uma grave crise de segurança, marcada pelo avanço de grupos armados que dominam parte da capital, Porto Príncipe. O país não realiza eleições desde 2016 e é administrado pelo primeiro-ministro Alix Didier Fils-Aimé.

De acordo com dados das Nações Unidas, somente neste ano a violência já provocou mais de 2,3 mil mortes e cerca de 1,1 mil pessoas ficaram feridas.

A ONU destaca que mulheres e crianças são as principais vítimas do cenário de insegurança. O número de menores recrutados por gangues triplicou no período de apenas um ano, enquanto a violência de gênero continua aumentando, com uma média superior a 20 mulheres e meninas agredidas diariamente.

Falta de recursos preocupa a ONU

Além da crise de segurança, o país enfrenta uma situação humanitária crítica. Cerca de 6 milhões de pessoas vivem em insegurança alimentar e aproximadamente 1,5 milhão tiveram que abandonar suas casas por causa da violência. O Haiti possui uma população estimada em 12 milhões de habitantes.

Apesar de quase 3 milhões de haitianos terem recebido assistência humanitária no último ano, a ONU afirma que as operações continuam limitadas pela falta de financiamento internacional. O Plano de Resposta Humanitária arrecadou apenas 25% dos US$ 880 milhões considerados necessários para atender à população em 2026.

Segundo Guterres, o Haiti não pede caridade, mas o cumprimento dos compromissos assumidos pela comunidade internacional diante da gravidade da situação.

Mesmo com o cenário preocupante, o secretário-geral afirmou enxergar sinais de recuperação gradual em algumas áreas de Porto Príncipe, onde o Estado começa a retomar o controle de bairros anteriormente dominados por grupos criminosos.

Referência à independência do Haiti

Durante a visita, António Guterres também citou a histórica Batalha de Vertières, travada em 1803 contra o domínio francês e considerada decisiva para a independência do Haiti.

A referência ocorre poucos dias após a seleção haitiana ser obrigada pela Fifa a alterar o uniforme utilizado na Copa do Mundo por conter uma ilustração que homenageava os revolucionários responsáveis pela independência do país.

Para Guterres, o espírito de resistência demonstrado pelos haitianos naquela conquista histórica permanece vivo e representa a força de uma população que continua enfrentando desafios extremos sem perder a esperança.

**Informações via Agência Brasil

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