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Obras no Portão do Inferno são suspensas e governo estuda construção de túnel

Após quase um ano de intervenções e mais de R$ 9 milhões investidos, projeto inicial é abandonado por falhas técnicas; nova proposta é mais complexa e custosa

🕒 Publicado em 29/06/2025 às 08:32

As intervenções no Portão do Inferno, ponto turístico localizado na MT-251, em Chapada dos Guimarães, foram oficialmente suspensas pelo Governo de Mato Grosso. A decisão ocorre após quase um ano do início das obras e cerca de 26% do projeto executado. Até o momento, mais de R$ 9,3 milhões já foram pagos.

Inicialmente, o plano previa o retaludamento do paredão rochoso — corte da encosta para evitar deslizamentos. No entanto, falhas nos estudos técnicos que fundamentaram essa proposta levaram o Estado a descartar a solução. De acordo com o Mapa de Obras da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), a obra começou em agosto de 2024 com orçamento inicial de R$ 29,5 milhões. Um aditivo de mais de R$ 8 milhões elevou o valor total para R$ 37,6 milhões, além de sucessivos adiamentos no cronograma.

A entrega, prevista inicialmente para dezembro de 2024, foi prorrogada para abril de 2025 e, posteriormente, para agosto. Agora, os trabalhos estão interrompidos. A nova proposta do governo é construir um túnel, considerado mais seguro a longo prazo, mas também mais complexo e demorado.

Desafios para o novo projeto

Segundo estudo técnico liderado pelo secretário da Sinfra, Marcelo Oliveira, o principal obstáculo para a construção do túnel é a ausência de empresas locais com experiência nesse tipo de obra. O relatório destaca que, embora existam construtoras nacionais aptas, seria necessário formar consórcios com empresas locais para transferência de tecnologia.

Além do alto custo, o estudo afirma que a obra pode afetar negativamente o fluxo turístico para Chapada dos Guimarães, pois exigirá manutenção da estrada atual durante os trabalhos — o que mantém o risco aos motoristas. Outro ponto relevante é a importância cultural do local: o túnel permitiria preservar o maciço rochoso conhecido como mirante do Portão do Inferno, um símbolo da região.

A suspensão das obras e o atraso na definição de uma nova solução continuam impactando diretamente moradores e visitantes, que convivem com os riscos da instabilidade do terreno e os transtornos causados pela paralisação da intervenção.

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