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Obras em complexo nuclear subterrâneo do Irã aumentam durante guerra com os EUA

Análise de imagens de satélite aponta intensificação das atividades em Pickaxe Mountain, instalação considerada estratégica para proteger o programa nuclear iraniano

🕒 Publicado em 09/09/2026 às 08:50

Um complexo subterrâneo localizado sob uma montanha de granito no Irã apresentou aumento significativo nas atividades de construção ao longo de 2026, segundo uma análise de imagens de satélite realizada pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS). O local, conhecido como Pickaxe Mountain, fica próximo às instalações nucleares de Natanz, a aproximadamente 225 quilômetros ao sul de Teerã.

A movimentação chama atenção porque o complexo é considerado por analistas e serviços de inteligência uma possível instalação destinada a proteger partes do programa nuclear iraniano contra ataques externos. O aumento das obras ocorre em meio ao conflito entre Irã e Estados Unidos.

Segundo o CSIS, imagens analisadas ao longo de seis anos mostram que, neste ano, houve uma mudança clara no ritmo das atividades no local.

Instalação pode receber equipamentos nucleares

Os especialistas avaliam que Pickaxe Mountain provavelmente foi planejada para abrigar atividades relacionadas ao programa nuclear iraniano. Entre as possibilidades consideradas estão uma estrutura para montagem de centrífugas, uma unidade de enriquecimento de urânio ou um espaço destinado a outras etapas do desenvolvimento nuclear.

Informações atribuídas à inteligência israelense também indicam a possibilidade de o Irã transferir centrífugas para o complexo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já afirmou publicamente que o local poderia ser alvo de uma ação militar americana.

Apesar disso, a localização subterrânea representa um grande desafio. A estrutura está protegida por uma formação de granito, o que dificulta a ação até mesmo de algumas das mais potentes bombas convencionais desenvolvidas para atingir instalações fortificadas.

Obras avançaram durante 2026

A análise do CSIS identificou diversas mudanças na área de Pickaxe Mountain.

Entre os sinais observados estão:

  • aumento da movimentação de veículos nas estradas de acesso;
  • reforço e elevação das entradas dos túneis;
  • pavimentação de vias internas;
  • melhorias nas áreas de acesso;
  • nivelamento do terreno;
  • retirada de material escavado durante a construção dos túneis.

Os analistas avaliam que o trabalho teria deixado a fase predominantemente de escavação e avançado para uma etapa envolvendo construção interna e reforço externo.

Ao mesmo tempo, o próprio CSIS ressalta que a continuidade das obras pode indicar que o complexo ainda não estaria pronto para operar como uma instalação de enriquecimento de urânio, caso essa seja realmente sua finalidade.

Estados Unidos estudam como atingir estruturas mais profundas

Enquanto Pickaxe Mountain recebe novas obras, os Estados Unidos também vêm trabalhando em alternativas para lidar com instalações subterrâneas consideradas difíceis de atingir.

Um episódio ocorrido no estado do Novo México chamou atenção. Registros federais mostram que, pouco antes do início da atual guerra, uma agência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos autorizou um contrato emergencial de aproximadamente US$ 1,2 milhão para obras em uma instalação subterrânea de testes localizada no campo de mísseis de White Sands.

O documento, elaborado pela Agência de Redução de Ameaças de Defesa (DTRA), mencionava a necessidade de realizar um teste com munição real para avaliar capacidades classificadas diante de novas ameaças.

As obras ocorreram em uma área conhecida como Alternate Seismic Hardrock in Situ Test Site, utilizada para testes relacionados aos efeitos de armas contra estruturas profundamente enterradas.

Imagens de satélite indicam que as escavações começaram entre os dias 16 e 18 de fevereiro e continuaram até aproximadamente meados de março.

Relação com a guerra não foi confirmada oficialmente

Três fontes familiarizadas com o assunto disseram à CNN que o planejamento do teste estaria relacionado à guerra com o Irã e à necessidade de desenvolver métodos para atingir instalações subterrâneas mais profundas.

Entretanto, não foi possível confirmar de maneira independente que o teste tenha sido realizado ou que as obras tenham tido especificamente essa finalidade.

O Pentágono não havia respondido aos questionamentos apresentados pela CNN, enquanto a empresa responsável pela construção também não havia se manifestado.

Além disso, as características geológicas dos dois locais chamam atenção: tanto Pickaxe Mountain quanto a área de testes de White Sands estão associadas a formações de granito.

Experiência anterior mostrou limitações das bombas americanas

Os Estados Unidos já utilizaram armas contra instalações nucleares iranianas em junho de 2025, durante a operação denominada Midnight Hammer.

Embora os ataques tenham atingido estruturas importantes ligadas ao programa nuclear de Teerã, autoridades militares americanas reconheceram posteriormente que algumas instalações profundamente enterradas não foram completamente destruídas.

No caso de Isfahan, por exemplo, um general americano afirmou a parlamentares que os ataques teriam conseguido principalmente soterrar as entradas do complexo. Segundo a avaliação apresentada na época, as bombas destinadas à destruição de bunkers, conhecidas como Massive Ordnance Penetrator (MOP), não teriam capacidade suficiente para destruir completamente a estrutura subterrânea.

Nova geração de bombas está em desenvolvimento

Diante dessas limitações, as Forças Armadas dos Estados Unidos trabalham no desenvolvimento de uma nova geração de armamentos capazes de atingir alvos ainda mais profundos.

Um contrato para iniciar o desenvolvimento de um protótipo foi concedido em setembro de 2025. Em junho deste ano, a Força Aérea americana também consultou empresas do setor de defesa sobre o desenvolvimento da nova arma.

O objetivo é ampliar a capacidade de atingir estruturas subterrâneas que estejam protegidas por grandes camadas de rocha e outros sistemas de defesa.

Pickaxe continua entre os possíveis alvos

De acordo com uma fonte familiarizada com os planos militares americanos, Pickaxe Mountain esteve entre os alvos considerados durante o período em que Washington avaliava ampliar suas operações contra o Irã.

O planejamento teria incluído o emprego de algumas das maiores bombas disponíveis no arsenal dos Estados Unidos. Ainda assim, permanece a dúvida sobre a capacidade dessas armas de penetrar suficientemente na montanha para destruir instalações ou equipamentos que eventualmente estejam no interior do complexo.

Os esforços de planejamento continuam. Uma fonte ouvida pela CNN afirmou que setores do Departamento de Defesa realizaram recentemente uma força-tarefa dedicada a estudar maneiras de enfrentar instalações subterrâneas profundas.

O que existe dentro da montanha ainda não está totalmente esclarecido

Apesar da intensa atenção de serviços de inteligência e analistas, não há confirmação pública sobre o estágio exato do complexo de Pickaxe Mountain ou sobre quais equipamentos eventualmente estejam instalados no interior.

O CSIS considera três possibilidades principais para a estrutura: montagem de centrífugas, enriquecimento de urânio ou proteção de outras atividades relacionadas ao programa nuclear.

A análise das imagens, por sua vez, mostra que as obras continuam. Para os especialistas, o volume de movimentação registrado em 2026 é superior ao observado em qualquer outro período analisado desde o início do monitoramento por satélite.

A combinação entre a localização subterrânea, as características geológicas da região e a intensificação das obras mantém Pickaxe Mountain no centro das preocupações sobre a capacidade do Irã de proteger seu programa nuclear diante de possíveis novos ataques.

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