Um novo medicamento para o tratamento da insônia deve chegar ao mercado brasileiro ainda em 2026. O Dayvigo (lemborexanto), desenvolvido pela farmacêutica japonesa Eisai, será comercializado no país por meio de uma parceria com a Eurofarma, com preço estimado em aproximadamente R$ 200.
O medicamento pertence a uma classe diferente dos remédios para dormir mais conhecidos atualmente. Chamados de antagonistas duplos dos receptores de orexina (DORA), esses medicamentos atuam sobre um dos mecanismos responsáveis por manter o cérebro em estado de alerta.
Como o lemborexanto funciona?
Medicamentos como zolpidem, zopiclona e eszopiclona, conhecidos como drogas “Z”, atuam favorecendo a inibição da atividade cerebral e induzindo a sonolência.
O lemborexanto utiliza uma estratégia diferente. Em vez de provocar diretamente a sedação, bloqueia os receptores de orexina, um neurotransmissor relacionado à manutenção da vigília.
A ideia é interromper o sinal que mantém o cérebro desperto, facilitando o início e a manutenção do sono.
Menor risco de dependência?
Uma das expectativas em torno da nova classe é justamente a possibilidade de apresentar menor potencial de dependência e abuso em comparação com alguns medicamentos tradicionalmente utilizados contra a insônia.
Isso, porém, não significa que o medicamento seja isento de riscos ou que possa ser utilizado sem acompanhamento médico. A escolha do tratamento depende das características de cada paciente, da causa da insônia, de outros medicamentos utilizados e de possíveis condições de saúde.
Além disso, problemas de sono persistentes precisam ser investigados. A insônia pode estar relacionada a estresse, ansiedade, alterações de rotina, outros medicamentos, condições médicas ou transtornos do sono.
Medicamento já é utilizado em outros países
O lemborexanto já recebeu aprovação para o tratamento da insônia em mais de 25 países, incluindo Estados Unidos, Japão, Canadá e Austrália.
A chegada ao Brasil representa a entrada no mercado nacional de uma nova abordagem farmacológica para a insônia, baseada no bloqueio do sistema da orexina.
Sono não deve ser tratado apenas com medicamentos
Apesar dos avanços farmacológicos, especialistas destacam que o tratamento da insônia não deve se limitar ao uso de remédios.
Mudanças de hábitos, regularidade nos horários de dormir e acordar, redução de estímulos antes de dormir e investigação das causas do problema podem fazer parte do tratamento.
Por isso, mesmo com a chegada de novas opções terapêuticas, o uso de medicamentos para dormir deve ser orientado por um profissional de saúde.
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