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NOTÍCIAPerícia aponta que filme sobre Bolsonaro não recebeu recursos públicos

Perícia aponta que filme sobre Bolsonaro não recebeu recursos públicos

Análise privada identificou que os valores utilizados na produção vieram de um fundo dos Estados Unidos, mas não investigou a origem do dinheiro do financiador

🕒 Publicado em 27/08/2026 às 10:55

Uma perícia privada contratada pela produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), concluiu que a produção não utilizou recursos públicos. O levantamento foi realizado pela GoUp Entertainment e anexado ao inquérito da Polícia Civil de São Paulo, que investiga possíveis irregularidades no financiamento da obra.

O trabalho foi assinado pelo perito Anísio Costa Castelo e teve como base notas fiscais e documentos financeiros relacionados à produção. Segundo o relatório, não foram encontrados pagamentos provenientes da Lei Rouanet, da Prefeitura de São Paulo ou do Instituto Conhecer Brasil para custear o longa-metragem.

Fundo norte-americano aparece como financiador

De acordo com a perícia, Dark Horse teve um custo total de aproximadamente US$ 13,3 milhões, equivalente a cerca de R$ 75 milhões.

Desse montante, aproximadamente US$ 9,6 milhões (R$ 49,5 milhões) foram gastos nos Estados Unidos, enquanto quase US$ 4 milhões (R$ 20,6 milhões) foram destinados a despesas realizadas no Brasil.

O relatório aponta que os recursos empregados diretamente na produção foram repassados pelo Havengate Development, fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos.

A perícia, porém, estabeleceu um limite importante: não investigou a origem dos recursos que abastecem o próprio fundo.

Ao jornal O Globo, o perito explicou que o objetivo da análise era verificar quanto foi efetivamente gasto na produção e identificar a origem imediata dos valores utilizados no filme, e não rastrear a composição financeira do Havengate Development.

Investigação continua

A origem do dinheiro utilizado pelo fundo entrou no radar das autoridades após conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, divulgadas pelo Intercept Brasil. Os diálogos mencionariam um investimento de aproximadamente R$ 61 milhões na produção.

A Polícia Federal também investiga se parte desses recursos poderia ter sido utilizada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

Eduardo nega a acusação. Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que os recursos foram integralmente destinados à realização do filme.

Dessa forma, a perícia apresentada pela produtora sustenta que não houve utilização direta de recursos públicos na produção de Dark Horse e identifica o Havengate Development como fonte dos valores empregados no longa. O documento, contudo, não esclarece a origem dos recursos recebidos pelo próprio fundo, ponto que permanece no âmbito das investigações.

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