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Ministério da Saúde lança plano de R$ 9,8 bilhões para fortalecer o SUS diante de eventos climáticos extremos

Estratégia prevê ações até 2035 para ampliar a resposta da saúde pública aos impactos do El Niño, das ondas de calor e das mudanças climáticas.

🕒 Publicado em 30/06/2026 às 16:52

O governo federal apresentou um amplo plano de investimentos para reforçar a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos desafios provocados pelas mudanças climáticas. Anunciada pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (30), a iniciativa destina R$ 9,8 bilhões para ações de prevenção, preparação e resposta a desastres ambientais e seus reflexos na saúde da população.

A estratégia reúne 27 metas e 93 ações com execução prevista até 2035. Entre os principais objetivos estão o fortalecimento da infraestrutura da rede pública de saúde, a antecipação de riscos climáticos, a proteção das populações mais vulneráveis e o aprimoramento da capacidade de recuperação de áreas afetadas por eventos extremos.

O plano será desenvolvido com base em cinco eixos estratégicos: coordenação entre União, estados, municípios e Defesa Civil; fortalecimento da assistência à saúde, especialmente em regiões isoladas; comunicação voltada a gestores, profissionais e cidadãos; monitoramento permanente de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos; e reforço no abastecimento de medicamentos, vacinas, água potável e demais insumos essenciais.

Como parte da iniciativa, o Ministério da Saúde implantará oito Centros Integrados de Saúde e Clima distribuídos pelas cinco regiões do país. A primeira unidade será instalada na Bahia, ampliando a capacidade de monitoramento e resposta às emergências relacionadas ao clima.

Outra novidade será a criação do Painel Nacional de Excesso de Calor, plataforma destinada ao acompanhamento de temperaturas extremas e à emissão de alertas com até cinco dias de antecedência. O sistema pretende subsidiar ações de prevenção e reduzir os riscos provocados pelas ondas de calor.

O plano também prevê a ampliação da Força Nacional do SUS, que passará a contar com oito bases estratégicas em diferentes regiões brasileiras. A expectativa é reduzir o tempo de mobilização das equipes para até 12 horas em qualquer tipo de emergência, além de garantir o início das ações de resposta em até 72 horas, conforme a gravidade do desastre.

Entre as medidas preventivas está a elaboração de um protocolo específico para proteção da população idosa durante períodos de calor intenso. As orientações incluem reforço da hidratação, redução da exposição ao sol nos horários mais quentes, manutenção de ambientes ventilados, acompanhamento do uso correto de medicamentos contínuos e utilização de soro fisiológico para aliviar o ressecamento dos olhos e das vias nasais.

Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os efeitos das mudanças climáticas já representam um dos maiores desafios para a saúde pública brasileira. Segundo ele, adaptar o SUS a esse novo cenário tornou-se uma necessidade urgente diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos.

O ministro também citou um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que aponta cerca de 120 mil mortes relacionadas ao aumento das temperaturas médias no Brasil ao longo das últimas duas décadas. Para Padilha, além das políticas voltadas à redução das emissões de carbono, é indispensável investir na adaptação dos sistemas de saúde para enfrentar os impactos da crise climática.

**Informações via Agência Brasil

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