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Mercado financeiro eleva projeção da inflação e mantém atenção sobre impactos da guerra no Oriente Médio

Estimativa para o IPCA sobe pela 13ª semana consecutiva, enquanto analistas revisam expectativas para juros, crescimento econômico e câmbio

🕒 Publicado em 08/06/2026 às 09:35

O cenário econômico brasileiro segue sob influência das incertezas internacionais. Com reflexos da instabilidade geopolítica no Oriente Médio sobre os preços globais de combustíveis e alimentos, instituições financeiras voltaram a elevar suas projeções para a inflação em 2026.

Os dados constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central, que reúne semanalmente as expectativas do mercado para os principais indicadores econômicos do país.

A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do Brasil, passou de 5,09% para 5,11% neste ano. Trata-se da décima terceira revisão consecutiva para cima, mantendo a estimativa acima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Atualmente, a meta de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Dessa forma, o limite máximo permitido é de 4,5%.

Apesar das pressões inflacionárias, o acumulado de 12 meses registrado até abril permaneceu dentro desse intervalo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulado atingiu 4,39%, impulsionado principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos.

A próxima divulgação oficial da inflação ocorrerá na sexta-feira (12), quando o IBGE apresentará os resultados referentes ao mês de maio.

Juros continuam no radar do mercado

A inflação mais elevada também influencia as expectativas relacionadas à taxa básica de juros da economia, a Selic.

Atualmente fixada em 14,5% ao ano, a taxa é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em abril, houve uma redução de 0,25 ponto percentual, marcando o segundo corte consecutivo dos juros.

Mesmo com a trajetória recente de queda da Selic, o ambiente internacional segue como fator de preocupação. O aumento dos custos de energia e alimentos decorrente dos conflitos no Oriente Médio pode dificultar o processo de desaceleração da inflação nos próximos meses.

Segundo as projeções do mercado, a Selic deverá encerrar 2026 em 13,5% ao ano. Para os anos seguintes, a expectativa é de redução gradual para 11,5% em 2027 e 10% em 2028 e 2029.

O próximo encontro do Copom está programado para os dias 16 e 17 de junho, quando o colegiado voltará a avaliar o cenário econômico e os rumos da política monetária.

Economia mantém expectativa de crescimento moderado

Apesar dos desafios inflacionários, as perspectivas para a atividade econômica apresentaram leve melhora.

A estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,90% para 1,91%. Para 2027, a projeção segue em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 a expectativa é de expansão de 2% ao ano.

Dados mais recentes do IBGE mostram que a economia brasileira cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores. No acumulado de 12 meses, a expansão alcançou 2%.

Já em 2025, o país registrou crescimento de 2,3%, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária e pela expansão observada em todos os setores da economia.

Dólar deve permanecer estável

No mercado de câmbio, as projeções permanecem relativamente estáveis.

As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central estimam que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,15. Para o final de 2027, a previsão aponta para uma leve alta, com a moeda norte-americana alcançando R$ 5,20.

O comportamento da inflação, dos juros e do câmbio continuará sendo acompanhado de perto pelo mercado, especialmente diante das incertezas externas e dos desafios para manter os preços sob controle nos próximos anos.

**Informações via Agência Brasil

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