A produção de etanol em Mato Grosso registrou crescimento expressivo de 17% na safra 2024/25, atingindo 6,7 bilhões de litros, de acordo com dados divulgados pela Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e o Sindicato das Indústrias de Bioenergia (Bioind-MT), com base em análises do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O avanço ocorre em um momento de maior atenção do consumidor aos preços dos combustíveis, com o etanol recuperando competitividade frente à gasolina.
Esse desempenho fortalece a posição do estado como o segundo maior produtor de etanol do Brasil, atrás apenas de São Paulo. O grande destaque da safra foi o etanol de milho, responsável por 5,62 bilhões de litros — cerca de 84% da produção total —, o que representa um aumento de 23,77% em relação à temporada anterior. Esse volume foi possível graças à moagem de 12,5 milhões de toneladas do grão, consolidando Mato Grosso como responsável por 68% de toda a produção nacional de etanol à base de cereais.
Além do combustível, as usinas do estado também apresentaram crescimento na produção de coprodutos. A fabricação de grãos secos de destilaria (DDG/DDGS) chegou a 2,72 milhões de toneladas, um avanço de 28,28%. Já a produção de óleo de milho subiu quase 30%, totalizando 257,5 mil toneladas.
Por outro lado, a produção de etanol derivado da cana-de-açúcar teve retração. A moagem da matéria-prima caiu 2,37% e a fabricação recuou 8,63%, encerrando a safra com 1,08 bilhão de litros. Algumas usinas optaram por redirecionar parte da produção para o açúcar, que teve alta de 6,21% no mesmo período.
As projeções para a próxima safra indicam continuidade no crescimento. A expectativa é que o estado produza 7,03 bilhões de litros de etanol, sendo 5,98 bilhões oriundos do milho. O aumento deve ser impulsionado pela entrada em operação de novas usinas e pela elevação da capacidade de moagem, prevista para alcançar 13,3 milhões de toneladas de milho.
De olho no futuro, o Imea estima que, até a safra 2033/34, a produção de etanol de milho em Mato Grosso poderá ultrapassar 12,6 bilhões de litros. Esse cenário reforça a relevância do estado na agenda de transição energética e na produção de biocombustíveis sustentáveis.
Além do etanol, o setor bioenergético local contribui com energia elétrica, óleo vegetal e Créditos de Descarbonização (CBIOs), movimentando a economia e apoiando metas ambientais. Segundo Cleiton Gauer, superintendente do Sistema Famato, o setor está em ritmo acelerado e se consolida como um dos pilares da inovação industrial e da economia verde no Brasil. “Mato Grosso já não é apenas um gigante agrícola — é também uma referência nacional em bioenergia”, afirmou.





