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Lula abre Assembleia da ONU com discurso crítico a sanções dos EUA e defesa da soberania

Presidente brasileiro marca posição na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas em meio a tensões diplomáticas com o governo Trump

🕒 Publicado em 23/09/2025 às 06:46

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu, na manhã desta terça-feira (23), o Debate Geral da 80ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O discurso ocorre em um momento de crescente tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, especialmente após novas sanções aplicadas por Washington a autoridades brasileiras.

Lula manteve a tradição de representantes do Brasil de inaugurar oficialmente a sessão, que reúne líderes de 193 países membros da ONU. O segundo a discursar foi o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que participa pela primeira vez da assembleia desde seu retorno à Casa Branca.

As expectativas em torno do pronunciamento de Lula se concentravam em possíveis respostas às ações recentes do governo americano. Na véspera, os Estados Unidos anunciaram a revogação do visto do advogado-geral da União, Jorge Messias, e aplicaram sanções financeiras a Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

Com essas medidas, a crise entre os dois países se agravou ainda mais, sendo considerada a pior das últimas décadas. Viviane teve seus bens bloqueados em território americano e está impedida de realizar qualquer tipo de transação financeira com instituições ou cidadãos dos Estados Unidos.

Trump, por sua vez, já havia tentado intervir sem sucesso no julgamento de Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A decisão provocou reações duras da Casa Branca, com elevação de tarifas comerciais contra o Brasil, o que foi interpretado pelo governo brasileiro como um ataque à soberania nacional.

O discurso de Lula, de acordo com sua equipe, foi construído com o objetivo de reforçar o compromisso do Brasil com a democracia, o multilateralismo e a reforma das instituições globais. O presidente também defendeu a preservação ambiental, abordou os conflitos internacionais em curso, como as guerras na Faixa de Gaza e na Ucrânia, e criticou práticas protecionistas.

Mesmo sem citar diretamente o nome de Trump, Lula buscou estabelecer um contraponto claro às políticas do atual governo dos EUA, especialmente no que diz respeito à autonomia das instituições brasileiras e à necessidade de respeito entre as nações.

A presença dos dois líderes em um mesmo evento acentuou ainda mais o contraste entre suas visões de mundo. Apesar da possibilidade de um encontro nos bastidores, ainda não há confirmação de que Lula e Trump tenham se cumprimentado ou assistido aos respectivos discursos.

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