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Justiça francesa condena Nicolas Sarkozy a cinco anos de prisão por associação criminosa

Ex-presidente da França cumprirá pena por envolvimento em esquema de financiamento ilegal de campanha com apoio do regime líbio de Kadhafi

🕒 Publicado em 25/09/2025 às 10:18

O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy, foi condenado nesta quinta-feira (25) a cinco anos de prisão pela Justiça francesa por envolvimento em uma rede de associação criminosa ligada ao financiamento irregular de sua campanha presidencial em 2007. A sentença se refere à acusação de que o então candidato recebeu apoio financeiro do governo líbio, liderado à época por Muammar Kadhafi.

Embora tenha sido absolvido das acusações de corrupção passiva e financiamento ilegal de campanha, o tribunal determinou a execução imediata da pena, considerando os fatos como “extremamente graves”. Sarkozy, de 70 anos, poderá recorrer da decisão, mas, mesmo assim, a Justiça determinou que ele cumpra pena de forma provisória. O Ministério Público da França tem até um mês para decidir a data em que o ex-presidente será levado à prisão.

Acompanhado da esposa, Carla Bruni, e de filhos, Sarkozy esteve presente na leitura da sentença em Paris. Na saída do tribunal, afirmou que manterá sua inocência e que enfrentará a decisão com dignidade.

“Dormirei na prisão de cabeça erguida”, declarou.

Promessas em troca de apoio financeiro

De acordo com a Promotoria francesa, o esquema envolvia promessas feitas por Sarkozy ao governo líbio em troca de doações milionárias para sua campanha. A acusação sustentou que ele foi o principal articulador da operação, mesmo que os valores não tenham sido entregues diretamente a ele.

Sete ex-integrantes do governo líbio confirmaram a existência do pacto. O caso também se baseia em viagens de assessores de Sarkozy à Líbia, registros de transferências bancárias e nos cadernos do ex-ministro do Petróleo da Líbia, Shukri Ghanem, que foi encontrado morto em 2012, no rio Danúbio, em Viena.

Mortes, retratações e contradições

A sentença ocorre dias após a morte de Ziad Takieddine, empresário franco-libanês e uma das principais testemunhas contra Sarkozy. Ele faleceu em Beirute, vítima de parada cardíaca, e teve um papel controverso no caso. Em diferentes momentos, afirmou ter entregue até 5 milhões de euros a Sarkozy, depois se retratou e, mais tarde, voltou atrás da própria retratação.

Além disso, Sarkozy é alvo de outro processo, que investiga supostas tentativas suas e de Carla Bruni de pressionar uma testemunha ligada ao mesmo caso.

Condenações anteriores

Sarkozy já acumula outras condenações. Ele foi sentenciado a um ano de prisão por corrupção e tráfico de influência no caso conhecido como “escutas telefônicas” e também a seis meses de prisão no processo “Bygmalion”, envolvendo o financiamento de sua campanha de 2012. A Corte de Cassação, instância máxima da Justiça francesa, deve analisar esse último recurso em outubro.

Recentemente, Sarkozy se tornou o primeiro ex-presidente francês a usar tornozeleira eletrônica, entre janeiro e maio deste ano. Apesar disso, segue sendo uma figura política influente no país e mantém diálogo próximo com o atual presidente Emmanuel Macron.

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