O governo do Irã e o grupo político-militar Hezbollah afirmaram que o cessar-fogo no Líbano é resultado direto da atuação conjunta do chamado “Eixo da Resistência”, aliança formada por forças que se opõem à influência de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio.
A interpretação contrasta com a posição do presidente norte-americano, Donald Trump, que tenta atribuir a trégua à articulação da Casa Branca. Do lado iraniano, o entendimento é de que a interrupção dos combates no Líbano era uma شرط fundamental para o avanço das negociações com Washington — condição que levou, inclusive, à reabertura do Estreito de Ormuz para o tráfego comercial.
Em comunicado oficial, o Hezbollah destacou a intensidade das ações militares durante o conflito, afirmando ter realizado mais de 2 mil operações em um período de 45 dias, com média de 49 ações diárias. Segundo o grupo, os ataques tiveram como alvo forças israelenses em território libanês, além de bases militares em Israel e em áreas palestinas ocupadas.
A organização também reforçou que permanece em estado de alerta, sinalizando que poderá retomar as ações caso o acordo seja descumprido. A declaração evidencia o clima de instabilidade mesmo após o anúncio do cessar-fogo.
Autoridades iranianas reforçaram o discurso de que a trégua foi construída a partir da capacidade de resistência militar e da articulação política regional. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, afirmou que o resultado reflete a união entre Irã e Hezbollah, indicando que ambos atuam de forma integrada tanto em cenários de conflito quanto em momentos de negociação.
Já o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Ismail Baghaei, ressaltou o papel da diplomacia, destacando que o país vinha defendendo um cessar-fogo simultâneo em toda a região desde o início das tratativas internacionais.
Israel reage com cautela e mantém incertezas sobre acordo
Do lado israelense, o cenário é de divergência interna. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vinha sinalizando a ampliação das operações militares no sul do Líbano, com planos de avanço até o Rio Litani.
Segundo a imprensa local, integrantes do próprio gabinete foram surpreendidos pelo anúncio do cessar-fogo. Há relatos de que a decisão teria sido influenciada por pressão externa, especialmente dos Estados Unidos, o que gerou críticas da oposição política em Israel.
Mesmo com a trégua, fontes militares indicam que tropas israelenses podem permanecer em território libanês, o que aumenta as incertezas sobre a efetividade e duração do acordo.
Conflito é marcado por décadas de tensões
A atual escalada é mais um capítulo de um conflito histórico que remonta à década de 1980, quando o Hezbollah foi criado em resposta à presença militar israelense no Líbano.
Ao longo dos anos, o grupo ampliou sua atuação, passando a integrar também o cenário político libanês. Apesar de períodos de trégua, confrontos entre as partes se repetem ao longo das décadas, com episódios marcantes em 2006, 2009 e 2011.
A fase mais recente do conflito teve início em 2023, com ataques do Hezbollah ao norte de Israel em meio à crise na Faixa de Gaza. Desde então, sucessivos acordos de cessar-fogo foram anunciados, mas frequentemente desrespeitados, mantendo a região em constante estado de tensão.
O novo acordo é visto com cautela pela comunidade internacional, diante do histórico de instabilidade e das disputas geopolíticas que envolvem múltiplos atores na região.
**Informações via Agência Brasil




