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NOTÍCIAGoverno Trump libera arquivos secretos sobre assassinato de Martin Luther King Jr.

Governo Trump libera arquivos secretos sobre assassinato de Martin Luther King Jr.

Mais de 230 mil documentos do FBI sobre vigilância ao líder dos direitos civis foram divulgados, apesar da oposição da família e de entidades do movimento negro

🕒 Publicado em 22/07/2025 às 10:20

O governo dos Estados Unidos, durante a gestão de Donald Trump, tornou públicos nesta segunda-feira (21) cerca de 230 mil documentos sigilosos relacionados à extensa vigilância que o FBI manteve sobre Martin Luther King Jr. até seu assassinato em 1968. A liberação ocorre mesmo diante da resistência da família do ativista e da Conferência da Liderança Cristã do Sul, organização que ele cofundou.

Os registros estavam sob sigilo desde 1977 por decisão judicial e foram entregues à Administração Nacional de Arquivos e Registros (NARA), responsável por tornar o material acessível. A família de King — incluindo seus filhos Martin Luther King III e Bernice King — foi previamente notificada e teve acesso antecipado aos documentos por meio de suas próprias equipes.

A diretora de Inteligência Nacional, Tulsi Gabbard, anunciou a liberação por meio das redes sociais, destacando que os arquivos trazem novas informações sobre o caso, incluindo detalhes sobre pistas investigadas à época e relatos de companheiros de cela de James Earl Ray, o homem condenado pelo crime. Ray se declarou culpado em 1969, mas renegou a confissão posteriormente e manteve sua inocência até sua morte, em 1998.

Operação de vigilância intensa

Segundo os filhos de King, os documentos comprovam que seu pai foi alvo de uma operação de vigilância “invasiva, predatória e profundamente perturbadora”, conduzida pelo então diretor do FBI, J. Edgar Hoover. Em comunicado conjunto, afirmaram que a ação tinha como objetivo “desacreditar e desmantelar” não apenas Martin Luther King, mas todo o movimento pelos direitos civis que ele representava.

A Conferência da Liderança Cristã do Sul (SCLC) também se manifestou contra a divulgação, argumentando que o conteúdo pode reforçar narrativas construídas de forma ilegal, já que boa parte da vigilância foi feita com grampos ilegais e espionagem interna.

Motivações e repercussão política

A divulgação dos documentos ocorre num momento conturbado para Donald Trump, que tem enfrentado críticas crescentes, inclusive de sua base política, pela forma como seu governo lidou com os arquivos relacionados ao caso do financista Jeffrey Epstein. O reverendo Al Sharpton acusou Trump de usar os arquivos de King como “cortina de fumaça” para abafar a pressão em torno do caso Epstein.

Além disso, o procurador-geral adjunto Todd Blanche solicitou na última sexta-feira a liberação das transcrições do grande júri nos processos envolvendo Epstein e sua ex-companheira.

Arquivos históricos e promessa de campanha

Durante a campanha presidencial, Trump havia prometido tornar públicos diversos documentos históricos relacionados a assassinatos de figuras importantes. Em 2025, ele já havia liberado registros sobre os casos de John F. Kennedy e Robert F. Kennedy. Agora, a liberação dos arquivos de Martin Luther King completa a série de promessas cumpridas nessa área.

Estudiosos, jornalistas e historiadores devem analisar os novos documentos em busca de respostas, contradições ou evidências inéditas sobre o assassinato de King, ocorrido em 4 de abril de 1968, em Memphis, Tennessee. Embora já existissem provas de que o FBI vigiava King intensamente — com grampos em seus telefones, quartos de hotel e até uso de informantes —, o volume e o conteúdo total desses novos arquivos ainda estão sendo analisados.

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