Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) revelou um escândalo envolvendo o uso irregular de bolsas do programa Universidade Gratuita, destinado a estudantes de baixa renda. Segundo as autoridades, ao menos 130 universitários, filhos de famílias milionárias, acessaram indevidamente os benefícios, fraudando declarações de renda e ocultando patrimônio.
Entre os casos mais alarmantes, está o de um estudante de Direito, cuja família possui um império empresarial avaliado em cerca de R$ 1 bilhão, mas que declarou uma renda mensal de apenas R$ 3.800 para obter a bolsa.
Luxo escondido
As fraudes não se limitam a um caso isolado. Foram identificados diversos estudantes com perfis semelhantes: proprietários de mansões, lanchas, carros de luxo e empresas com capital social superior a R$ 10 milhões, mas que se inscreveram como se fossem de baixa renda. As irregularidades ocorreram, principalmente, em cursos de alto custo como Medicina e Direito.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC) apontou inconsistências em 18.383 inscrições. Dentre elas, mais de 4.400 apresentavam renda incompatível e outras 15 mil tinham divergências patrimoniais não declaradas. O impacto estimado é de R$ 324 milhões em prejuízos aos cofres públicos.
A operação
A Polícia Civil já cumpriu mandados de busca e apreensão, investigando a possível ocultação de bens e falsificação de dados financeiros. Segundo o delegado-geral Ulisses Gabriel, a análise não se limita a documentos: os investigadores estão confrontando dados declarados com o real patrimônio das famílias.
A PCSC reforça que os responsáveis poderão responder por falsidade ideológica, estelionato contra a administração pública e até organização criminosa, dependendo do envolvimento de terceiros no esquema.




