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Ex-presidente da Unimed Cuiabá é investigado por esquema de lavagem com dinheiro em espécie, diz MPF

Depósitos fracionados em contas pessoais e pacotes com até R$ 15 mil em espécie são apontados como estratégia de ocultação de fraudes contábeis e desvios internos

🕒 Publicado em 30/07/2025 às 09:20

O ex-presidente da Unimed Cuiabá, Rubens Carlos de Oliveira Júnior, é apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como líder de um complexo esquema de lavagem de dinheiro, operado entre 2021 e 2023. As informações fazem parte das investigações da Operação Bilanz, conduzida pela Polícia Federal, que identificou movimentações em espécie com valores entregues diretamente a funcionárias da cooperativa de saúde.

De acordo com o MPF, o médico repassava mensalmente valores entre R$ 10 mil e R$ 15 mil em dinheiro vivo a colaboradoras, que então realizavam depósitos fracionados em suas contas bancárias pessoais, distribuídos entre agências do Banco do Brasil, Santander e Safra. A prática é conhecida como smurfing, uma técnica usada para dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos.

Segundo os procuradores Pedro Melo Pouchain Ribeiro e Thereza Luiza Fontenelli Costa Maia, os valores teriam origem em fraudes contábeis e desvios internos na própria Unimed. As irregularidades envolvem, por exemplo, contratos com prestadores de serviços superfaturados ou forjados, que resultaram em ao menos 40 casos suspeitos de estelionato.

Depoimentos e movimentações suspeitas

Uma ex-funcionária do setor financeiro revelou que a circulação de dinheiro vivo era incomum na cooperativa, exceto em situações pontuais. No entanto, relatou ter presenciado a então gerente Ivete e a ex-superintendente Ana Paula Parizzotto contarem pacotes de dinheiro dentro do escritório e prepararem envelopes para depósito.

Outra colaboradora, ex-coordenadora da área financeira, afirmou ter recebido diretamente de Rubens quantias entre R$ 8 mil e R$ 12 mil ao menos cinco vezes, destinadas a contas de titularidade dele próprio. Os depósitos eram realizados em diferentes bancos, reforçando a estratégia de fracionamento.

O MPF destaca ainda que Rubens e Ana Paula atuavam diretamente na ocultação dos valores e podem ter repassado parte dos recursos a outros ex-gestores, como Suzana Aparecida Palma, Jaqueline Proença Larrea e Eroaldo de Oliveira.

Rombo financeiro e denúncia

A denúncia partiu da nova diretoria da Unimed Cuiabá, presidida pelo médico Carlos Bouret, que encomendou uma auditoria independente. O levantamento revelou que o balanço financeiro de 2022 havia sido manipulado para exibir um resultado positivo de R$ 370 mil, quando na verdade havia um déficit de cerca de R$ 400 milhões.

A Operação Bilanz, deflagrada em outubro de 2024, cumpriu mandados contra Rubens e outros ex-executivos, incluindo a advogada Jaqueline Larrea, a ex-diretora Suzana Palma, o ex-CEO Eroaldo Oliveira, a superintendente Ana Paula Parizzotto e a contadora Tatiana Bassan.

Todos os envolvidos são investigados por organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato e falsidade ideológica. O MPF ainda avalia apresentar novas denúncias, conforme o avanço das apurações e análise das provas reunidas.

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