Os Estados Unidos planejam deslocar parte dos drones MQ-9 Reaper atualmente empregados na África para a área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), que abrange a América do Sul e o Caribe. A informação foi relatada pela CNN com base em seis pessoas familiarizadas com os planos.
A possível transferência ocorre enquanto Washington amplia a cooperação militar com países da região e avalia novas operações voltadas ao combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo.
Ainda não foi informado quantos drones serão deslocados. Uma das fontes ouvidas pela CNN afirmou que a transferência poderá envolver a maioria dos MQ-9 atualmente vinculados ao Comando dos EUA para a África.
Drones podem ser utilizados em inteligência e ataques de precisão
O MQ-9 Reaper é uma aeronave remotamente pilotada de média altitude e longa permanência em voo. O equipamento pode ser utilizado para missões de reconhecimento, coleta de informações e operações de ataque.
Documentos oficiais do Departamento de Defesa dos EUA descrevem o Reaper como uma plataforma capaz de realizar reconhecimento e oferecer capacidade de ataque contra alvos que exigem resposta rápida.
A possível transferência para o SOUTHCOM seria realizada antes de operações que vêm sendo discutidas com países parceiros da América do Sul.
O Equador aparece entre os países envolvidos nesse processo. Segundo a reportagem, o país iniciou neste ano operações militares em parceria com os Estados Unidos contra organizações classificadas como terroristas.
Parte dos equipamentos também é disputada por outras regiões
A redistribuição dos drones não estaria definida de maneira integral.
Uma das fontes informou que ainda existem discussões sobre a possibilidade de enviar parte dos equipamentos para o Oriente Médio, onde os Estados Unidos perderam ativos militares durante o conflito com o Irã, incluindo drones MQ-9.
Dessa forma, a movimentação dos equipamentos envolve diferentes demandas estratégicas das Forças Armadas americanas.
Mudança pode reduzir capacidade de atuação na África
A retirada de parte dos drones da África ocorre apesar da permanência de ameaças relacionadas a grupos extremistas no continente.
Autoridades militares americanas têm alertado para a atuação de organizações como ISIS e al-Shabaab, enquanto operações de combate e missões conjuntas continuam sendo realizadas na região.
Fontes ouvidas pela CNN afirmaram que as ações contra esses grupos devem continuar. Ao mesmo tempo, existe preocupação de que a redução de equipamentos disponíveis no continente possa dificultar algumas operações de inteligência e monitoramento.
América do Sul ganha espaço na estratégia militar americana
A movimentação está relacionada a uma mudança de prioridades anunciada pelo governo dos Estados Unidos.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, colocou a defesa do território americano e do hemisfério ocidental entre as principais prioridades do Pentágono na Estratégia Nacional de Defesa divulgada em janeiro.
Nos últimos meses, Washington também intensificou contatos militares com governos latino-americanos.
Durante uma conferência realizada no Panamá, Hegseth citou Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia como países que vêm desenvolvendo parcerias com os Estados Unidos em operações contra organizações classificadas pelo governo americano como narcoterroristas.
Colômbia também receberá drones
A aproximação com a América do Sul inclui uma iniciativa envolvendo a Colômbia.
Segundo reportagem anterior da CNN, o país teria chegado a um acordo com os Estados Unidos para receber três drones MQ-9A Reaper destinados ao monitoramento de corredores utilizados pelo tráfico de drogas e, potencialmente, à realização de ataques de precisão.
O governo colombiano também vem sendo citado por autoridades americanas como um dos principais parceiros regionais na estratégia de combate ao narcotráfico.
Panamá recebe sistemas de drones
Outro movimento ocorreu no Panamá.
A Embaixada dos Estados Unidos informou que mais de US$ 6 milhões em sistemas de drones de longo alcance foram entregues ao país.
Os equipamentos não são MQ-9 Reaper e têm como objetivo ampliar a capacidade panamenha de monitorar áreas de fronteira, proteger corredores marítimos e combater atividades ilegais, incluindo tráfico de drogas e de pessoas.
EUA mudaram parte da estratégia contra embarcações
Nos últimos meses, os Estados Unidos realizaram ataques contra embarcações que Washington relaciona ao tráfico de drogas no Caribe e no Pacífico Oriental.
Segundo a reportagem, pelo menos 230 pessoas foram mortas nessas operações.
A eficácia da estratégia, entretanto, é objeto de questionamentos de autoridades e especialistas ouvidos pela CNN. Entre as hipóteses levantadas está a possibilidade de organizações criminosas terem alterado rotas e métodos para evitar as ações americanas.
Nas semanas mais recentes, os Estados Unidos passaram a realizar mais operações de interceptação. Em alguns casos, as tripulações foram retiradas das embarcações e transferidas para países parceiros antes que os barcos fossem afundados.
O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que a mudança está relacionada à necessidade de coordenar as operações com os países onde elas ocorrem, respeitando as legislações e os procedimentos de cada governo.
Apesar da mudança de abordagem, os Estados Unidos continuam realizando ataques contra embarcações suspeitas. Em 9 de setembro, o governo americano informou que três integrantes da tripulação de uma embarcação apontada como ligada ao tráfico de drogas morreram durante uma operação no Caribe.
Pentágono não comenta transferência
Procurado pela CNN para comentar a possível transferência dos drones, o Pentágono não se manifestou.
Por enquanto, também não está definido publicamente quantos MQ-9 serão deslocados da África para a área do Comando Sul.
A movimentação, caso seja confirmada, representará mais uma etapa da ampliação da presença e da cooperação militar dos Estados Unidos no hemisfério ocidental.




