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Estudo aponta que calor extremo já afeta 1 bilhão de pessoas a mais do que na década de 1970

Pesquisa internacional revela aumento das temperaturas durante o dia e, principalmente, à noite; América do Sul está entre as regiões mais impactadas

🕒 Publicado em 22/06/2026 às 15:43

O calor extremo tem alcançado um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo. Um estudo publicado na revista científica Nature Climate Change revela que cerca de 1 bilhão de pessoas passaram a enfrentar pelo menos um dia de calor extremo por ano em comparação com a década de 1970.

A pesquisa também mostra que a parcela da população mundial exposta a esse cenário aumentou de 16% para 22%, evidenciando o avanço das altas temperaturas nas últimas décadas.

Noites estão aquecendo mais rápido que os dias

Coordenado pela pesquisadora Rebecca Emerton, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), o levantamento analisou dados climáticos registrados entre 1950 e 2024.

Um dos principais resultados indica que as noites mais quentes estão aquecendo em ritmo superior ao dos dias mais quentes.

Segundo o estudo, as dez noites mais quentes do ano registraram aumento médio de 0,32°C por década desde os anos 1970, enquanto os dez dias mais quentes tiveram elevação média de 0,27°C por década.

Os pesquisadores explicam que o aumento da concentração de gases de efeito estufa faz com que a atmosfera retenha mais calor durante a noite, reduzindo o resfriamento natural do ambiente.

Falta de alívio noturno aumenta riscos à saúde

Os cientistas alertam que a ausência de noites mais frescas dificulta a recuperação do organismo após períodos de calor intenso.

Além da temperatura, fatores como umidade do ar, velocidade do vento e radiação solar foram considerados na análise por meio do Índice Climático Térmico Universal (UTCI), utilizado para medir o estresse térmico sobre o corpo humano.

Conforme a classificação adotada no estudo, níveis elevados de calor representam risco crescente para a saúde e podem exigir medidas imediatas de proteção.

Brasil está entre as regiões mais afetadas

A pesquisa aponta que a América do Sul, incluindo o Brasil, figura entre as áreas onde o calor mais avançou nas últimas décadas.

Nos dias mais quentes do ano, a sensação térmica máxima aumentou entre 2°C e 4°C em boa parte do continente.

Durante as noites, a elevação ficou entre 1°C e 3°C, reduzindo o período de recuperação do organismo.

Outro dado destacado é o crescimento do número de dias classificados como de calor intenso. Em áreas subtropicais, como as regiões Sul e Sudeste do Brasil, o estudo identificou até 50 dias adicionais por ano com temperaturas consideradas fortes ou extremas em relação aos anos 1970.

Eventos prolongados ficaram mais frequentes

Os pesquisadores também observaram aumento dos chamados eventos compostos, quando dias extremamente quentes são seguidos por noites igualmente abafadas, sem tempo suficiente para o organismo dissipar o calor acumulado.

Esses episódios tornaram-se mais longos e frequentes em diversos continentes, elevando os riscos para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Mudanças climáticas têm peso crescente

Embora o crescimento populacional também contribua para ampliar o número de pessoas expostas ao calor extremo, o estudo conclui que, nos episódios mais severos e prolongados, a influência das mudanças climáticas é predominante.

Atualmente, cerca de 70% da população mundial vive em regiões que enfrentam pelo menos 90 dias de calor intenso por ano, percentual superior aos 55% registrados na década de 1970.

Os pesquisadores destacam ainda que crianças estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos das ondas de calor, devido à menor capacidade do organismo de regular a temperatura corporal.

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