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Documentos enviados à CPI apontam patrimônio milionário de advogado filho de ministro do STF

Informações analisadas pela comissão do Senado indicam aplicações financeiras de R$ 27,7 milhões; defesa afirma que recursos têm origem lícita e estão declarados à Receita Federal.

🕒 Publicado em 09/07/2026 às 09:44

Documentos encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, em funcionamento no Senado Federal, colocaram em evidência a evolução patrimonial do advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques. Os registros analisados pela comissão apontam que o profissional acumulou aproximadamente R$ 27,7 milhões em aplicações financeiras em pouco mais de dois anos de atividade na advocacia.

Conforme a documentação, em agosto de 2025 o advogado possuía cerca de R$ 5 milhões investidos em um fundo de renda fixa. Quatro meses depois, o patrimônio aplicado passou para aproximadamente R$ 27,7 milhões, resultado da valorização das cotas do primeiro investimento e da realização de uma nova aplicação estimada em R$ 22,4 milhões em outro fundo financeiro.

Atualmente com 25 anos, Kevin de Carvalho Marques obteve aprovação no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em fevereiro de 2024. Cerca de seis meses depois, abriu seu escritório de advocacia e passou a prestar serviços para empresas de grande porte, entre elas a Refit, o Grupo Petrópolis e a Consult Inteligência Tributária.

Defesa afirma que patrimônio é regular

Em nota, a assessoria do advogado informou que todos os valores mencionados nos documentos estão regularmente declarados à Receita Federal, tanto na pessoa física quanto na jurídica.

A defesa também sustenta que os recursos possuem origem lícita e destaca que Kevin não atua em processos em tramitação no Supremo Tribunal Federal, observando as limitações previstas na legislação e nas normas éticas da advocacia.

Debate sobre transparência

Embora os documentos analisados pela CPI não apontem indícios de irregularidades financeiras ou de crimes relacionados à origem dos recursos, a divulgação das informações reacendeu discussões sobre transparência e possíveis conflitos de interesse envolvendo familiares de integrantes de tribunais superiores.

A legislação brasileira e o Estatuto da Advocacia estabelecem regras para preservar a imparcialidade do Poder Judiciário, impondo restrições ao exercício profissional em determinadas situações e limitando a atuação de advogados em processos que possam gerar questionamentos sobre eventual influência indevida.

Caso segue sob análise da comissão

Até o momento, não há registro de investigação formal contra Kevin de Carvalho Marques relacionada às aplicações financeiras mencionadas nos documentos enviados ao Senado.

As informações permanecem sob análise da CPI do Crime Organizado, que reúne dados e documentos relacionados às investigações sobre possíveis vínculos entre organizações criminosas, agentes públicos e pessoas físicas ou jurídicas de interesse da comissão.

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