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NOTÍCIAMorre Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira

Morre Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira

Criador de sucessos como Pantanal, O Rei do Gado e Terra Nostra, escritor faleceu aos 94 anos em São Paulo após complicações de insuficiência renal crônica.

🕒 Publicado em 07/07/2026 às 10:07

A televisão brasileira perdeu nesta terça-feira (7) um de seus maiores nomes. O dramaturgo, escritor e novelista Benedito Ruy Barbosa morreu aos 94 anos, em São Paulo, em decorrência de complicações provocadas por insuficiência renal crônica. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), onde o autor vinha sendo acompanhado.

O velório será realizado nesta terça-feira, no Funeral Home, localizado no bairro Bela Vista, na capital paulista. A cerimônia ocorrerá das 15h às 21h, sendo aberta ao público entre 15h e 16h.

No início deste ano, Benedito permaneceu internado por 19 dias para tratar uma infecção urinária associada ao quadro de insuficiência renal crônica.

Legado que marcou gerações

Reconhecido por retratar o universo rural brasileiro com autenticidade, Benedito Ruy Barbosa construiu uma carreira marcada por histórias que abordavam conflitos familiares, grandes romances, imigração, questões agrárias e a riqueza cultural do interior do país.

Entre suas obras mais emblemáticas estão Meu Pedacinho de Chão (1971), Pantanal (1990), Renascer (1993), O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999) e Velho Chico (2016), novelas que conquistaram o público e se tornaram referências da dramaturgia nacional.

Seus protagonistas costumavam representar personagens íntegros, determinados e guiados por valores como honestidade, perseverança e amor à família.

Infância simples e paixão pela escrita

Natural de Gália, no interior de São Paulo, Benedito nasceu em 1931 e passou parte da infância em Vera Cruz, região marcada por plantações de café e pela presença de comunidades de imigrantes italianos e japoneses, cenário que mais tarde inspiraria diversas de suas produções.

Após perder o pai ainda jovem, precisou trabalhar cedo para ajudar no sustento da família. Ao longo dos anos exerceu diferentes profissões, incluindo vendedor, auxiliar comercial, faxineiro e revisor de jornal.

Foi justamente o contato com a escrita que despertou sua vocação para a literatura. Seu primeiro romance, Fogo Frio, foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, abrindo caminho para sua carreira como roteirista.

Trajetória de sucesso na televisão

A estreia na televisão aconteceu em 1966, na TV Tupi, com a produção Somos Todos Irmãos. Posteriormente, passou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura.

Em 1971, escreveu Meu Pedacinho de Chão, obra exibida em parceria entre a TV Cultura e a TV Globo. Alguns anos depois, assinou contrato com a Globo, onde iniciou uma sequência de novelas de grande repercussão.

Na década de 1990, transferiu-se para a extinta TV Manchete e revolucionou a teledramaturgia com Pantanal, novela que inovou ao utilizar gravações em locações naturais e valorizar as paisagens e tradições do bioma brasileiro.

O enorme sucesso da produção abriu caminho para seu retorno à Globo, onde escreveu Renascer, além de outros grandes clássicos como O Rei do Gado, que abordou conflitos envolvendo famílias de origem italiana e questões ligadas à reforma agrária, e Terra Nostra, centrada na imigração italiana para o Brasil.

Obras ganharam novas versões

Anos depois, Benedito revisitou parte de sua própria trajetória ao participar das novas versões de Sinhá Moça e Meu Pedacinho de Chão.

Mais recentemente, duas de suas maiores obras, Pantanal e Renascer, ganharam remakes escritos por seu neto, Bruno Luperi, mantendo vivo o legado deixado pelo autor.

Seu último grande trabalho inédito foi Velho Chico, exibido em 2016, novela ambientada às margens do Rio São Francisco e marcada por disputas familiares, conflitos pela posse da terra e uma intensa história de amor.

Ao longo da carreira, Benedito Ruy Barbosa sempre defendeu que uma boa novela precisava emocionar o público. Para ele, toda grande história começava por um romance capaz de envolver diferentes gerações de telespectadores.

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