A defesa do policial militar Ricker Maximiano de Moraes, preso por feminicídio e tentativa de homicídio, solicitou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso a transferência de seu julgamento, marcado para o dia 8 de julho em Cuiabá. Segundo os advogados, o clima na capital estaria comprometendo a possibilidade de um julgamento imparcial, devido à intensa repercussão nas redes sociais e na mídia local.
Ricker responde pela tentativa de homicídio contra um adolescente de 17 anos, ocorrida em 2018, quando teria atirado no jovem após ele testemunhar uma discussão entre o PM e sua então namorada. A vítima ficou gravemente ferida e sofre com sequelas permanentes.
O caso voltou a ganhar destaque após o policial ser preso novamente no mês passado, acusado de matar a esposa, Gabrieli Daniel de Souza, com três tiros dentro da residência do casal, em Cuiabá, na frente dos dois filhos pequenos. Após o crime, ele fugiu com as crianças, abandonou-as na casa do pai, entregou a arma e depois se apresentou à polícia.
A defesa afirma que comentários ofensivos em redes sociais e portais de notícias — com termos como “monstro” e “tem que morrer” — indicam um ambiente de forte hostilidade, o que colocaria em risco não apenas a imparcialidade do júri, mas também a segurança física do réu, de seus advogados e familiares.
Por isso, pedem que o julgamento seja transferido para a Comarca de Rosário Oeste, onde acreditam ser possível garantir um julgamento mais equilibrado. O Ministério Público ainda será ouvido antes que o pedido seja analisado pelo tribunal.
O caso segue gerando grande comoção pública e reacende o debate sobre os impactos da opinião popular em julgamentos com forte carga emocional.




