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Crise na Santa Casa: dívidas crescem 154% e hospital corre risco de fechamento

Gestão estadual acumulou passivo milionário em seis anos e unidade hospitalar histórica de Cuiabá pode encerrar atividades; movimento busca impedir leilão

🕒 Publicado em 10/06/2025 às 07:29

Gestão estadual acumulou passivo milionário em seis anos e unidade hospitalar histórica de Cuiabá pode encerrar atividades; movimento busca impedir leilão

Palavra-chave: Santa Casa de Cuiabá

A situação da Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá, atualmente administrada pelo governo de Mato Grosso sob o nome de Hospital Estadual Santa Casa, chegou a um ponto crítico. Após seis anos de gestão estadual, a unidade — uma das mais tradicionais da capital — enfrenta o risco de ter sua estrutura física leiloada, o que pode resultar no encerramento definitivo de suas atividades.

Segundo o médico Paulo César de Figueiredo, que atua há mais de cinco décadas na instituição, a dívida do hospital cresceu de R$ 120 milhões, em maio de 2019, para aproximadamente R$ 305 milhões, um aumento de 154%. Figueiredo lidera um movimento de resistência contra o fechamento da unidade.

O montante é composto por diversos tipos de passivos: mais de R$ 127 milhões com instituições financeiras, R$ 60 milhões em dívidas tributárias com os três entes federativos, além de aproximadamente R$ 48 milhões decorrentes de ações trabalhistas e R$ 38 milhões em processos cíveis. No total, o hospital acumula débitos em dez diferentes frentes.

Para Figueiredo, a gestão estadual não apenas não resolveu os problemas da instituição, como agravou sua situação financeira. “O Estado assumiu a Santa Casa com uma dívida de R$ 120 milhões. Hoje, o valor ultrapassa R$ 300 milhões, e nos deram um prazo curto para encontrar uma solução. Uma entidade filantrópica como essa não pode declarar falência, nem recorrer à recuperação judicial. Quando não há mais alternativas, declara-se a insolvência, o que significa encerrar as atividades”, explica o médico.

Além da crise financeira, o possível fechamento da Santa Casa levanta preocupações sociais e estruturais. Figueiredo destaca que o fim da unidade resultaria em demissões e prejuízos ao atendimento de saúde da população. Ele relembra que, antes da intervenção estadual, uma fundação religiosa — administrada por padres camilianos — estava em processo de negociação para assumir a gestão da unidade e quitar as dívidas existentes, mas a proposta foi interrompida devido a disputas políticas entre o governo do Estado e a Prefeitura de Cuiabá.

Outro ponto sensível diz respeito aos equipamentos hospitalares. Segundo Figueiredo, o governo estadual já manifestou a intenção de transferi-los ao município. “Receberam a Santa Casa com toda a infraestrutura: UTIs, centro cirúrgico e outros equipamentos. Não podem simplesmente levar tudo embora. Se isso acontecer, vamos acionar a Justiça”, afirma.

A possível desativação da Santa Casa representa uma perda histórica e estrutural para o sistema de saúde mato-grossense. O caso tem mobilizado médicos, funcionários e setores da sociedade civil, que pedem uma solução que preserve o atendimento à população e a integridade do patrimônio público.

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