A investigação conduzida pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) sobre possíveis irregularidades na área da Saúde avançou nesta quarta-feira (19) com uma nova rodada de depoimentos. A CPI da Saúde ouviu quatro empresários e realizou 261 perguntas relacionadas aos fatos apurados, mas os convocados optaram por permanecer em silêncio durante a oitiva.
Foram chamados para prestar esclarecimentos Luiz Gustavo Castilho Ivoglo, Osmar Gabriel Chemin e Gabriel Naves Torres Borges, ligados à empresa MedTrauma, além do médico Bruno Castro.
A sessão ocorreu na Sala das Comissões Deputada Sarita Baracat. Apenas Ivoglo compareceu presencialmente. Os demais participaram por videoconferência, todos acompanhados por seus respectivos advogados.
Contratos e pagamentos estão entre os pontos investigados
Os parlamentares direcionaram os questionamentos para diferentes aspectos relacionados às suspeitas analisadas pela comissão, envolvendo contratos e pagamentos realizados na área da Saúde entre 2019 e 2025.
Entre os assuntos abordados estiveram registros de frequência de profissionais, prestação de serviços médicos, processos de indenização e informações provenientes de auditorias realizadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE).
Também foram apresentadas perguntas sobre possíveis inconsistências encontradas em documentos e folhas de frequência, ausência de registros relacionados a profissionais e cobrança de plantões cuja realização não teria sido comprovada.
Outro ponto questionado foi a realização de pagamentos por meio de processos indenizatórios.
Depoentes optaram pelo silêncio
Durante toda a oitiva, os convocados exerceram o direito constitucional de permanecer em silêncio.
O procurador da Assembleia Legislativa, Francisco de Brito, explicou que os depoentes tiveram acesso aos autos do procedimento, puderam ser acompanhados por advogados e tiveram assegurado o direito constitucional ao silêncio.
Segundo o procurador, a decisão dos depoentes de não responder aos questionamentos não impede que a comissão continue avançando na investigação.
A CPI dispõe de outros mecanismos para reunir elementos de prova, incluindo a solicitação de documentos, pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal e requisições de informações e auditorias a órgãos de controle.
Investigação entra em nova fase
A comissão vem realizando as oitivas de forma progressiva.
Os trabalhos começaram com depoimentos de técnicos da Controladoria-Geral do Estado (CGE). Na sequência, foram ouvidos representantes da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e, posteriormente, empresários relacionados aos fatos que estão sob investigação.
A próxima etapa está prevista para a quarta-feira (26), às 14h.
Ex-secretários serão ouvidos
Na próxima reunião, a CPI deverá ouvir o ex-secretário de Estado de Saúde Gilberto Figueiredo e a ex-secretária adjunta Caroline Campos Dobes.
Os depoimentos deverão contribuir para ampliar o conjunto de informações analisadas pela comissão e esclarecer aspectos relacionados à gestão da Saúde no período investigado.
Após essa rodada de oitivas, a expectativa é de que os parlamentares avancem na elaboração de um relatório parcial, reunindo os elementos já obtidos durante a investigação.
O documento, entretanto, poderá ser complementado posteriormente com novos documentos, depoimentos e informações que eventualmente sejam incorporados aos trabalhos da CPI.




