Mato Grosso apresentou sinais de melhora na cobertura vacinal em 2023, após anos de queda agravada pela pandemia, mas ainda está longe de alcançar as metas estabelecidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). A análise é do Anuário VacinaBR 2025, divulgado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC), com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e do UNICEF.
O relatório mostra que, embora haja retomada em algumas vacinas, muitas ainda não atingem o índice de 95% recomendado pelo Ministério da Saúde. O problema mais grave está no abandono vacinal, especialmente entre as segundas e terceiras doses de imunizantes essenciais.
Um exemplo é a vacina tríplice viral, que teve 92,2% de cobertura na primeira dose, mas caiu para apenas 47,7% na segunda. Em 2013, a cobertura da primeira dose ultrapassava 107%, evidenciando uma redução significativa em dez anos.
Outro destaque é a vacina pneumocócica 10-valente, que protege contra formas graves de pneumonia. Em 2023, o índice foi de 90,7%, abaixo do ideal, mas superior aos números de 2021 (82,2%). A recuperação, no entanto, ainda é instável e desigual entre os municípios.
A vacina pentavalente, que previne difteria, tétano e coqueluche, também apresenta queda na continuidade do esquema: de 94,7% na primeira dose para 86,6% na terceira. Nos reforços, a situação é ainda mais preocupante, com 78,6% e 81,9%, respectivamente.
Já a vacina contra febre amarela, que passou a ser indicada nacionalmente desde 2020, teve cobertura de apenas 75,8% na dose inicial em Mato Grosso, e 76,9% no reforço — índices bem abaixo da meta.
Desigualdade regional e baixa adesão à vacina do HPV preocupam
O estudo ainda destaca grandes disparidades entre os municípios. Mesmo com médias estaduais razoáveis, muitos locais apresentam índices alarmantes. Apenas um terço dos municípios brasileiros atingiu as metas de cobertura para as quatro vacinas básicas em 2023.
Em Mato Grosso, os números da vacina contra o HPV em meninas de até 15 anos são um exemplo claro dessa desigualdade. Enquanto algumas cidades alcançam boas coberturas, outras registram índices extremamente baixos, como Rondolândia (10,7%), Nova Brasilândia (27,3%) e Denise (27,4%).
Para a presidente do IQC, Natalia Pasternak, o enfrentamento desse cenário exige mais do que campanhas pontuais. “É preciso estratégia, dados confiáveis e um compromisso institucional com a ciência e a prevenção”, afirma. O levantamento reforça que a crise vacinal se agravou com a pandemia, mas teve início ainda em 2015, após décadas de conquistas desde a criação do PNI em 1973.




