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NOTÍCIACattani critica atenção exclusiva ao feminicídio: "Homens também morrem"

Cattani critica atenção exclusiva ao feminicídio: “Homens também morrem”

Deputado estadual lamenta morte da filha e questiona tratamento desigual dado a homicídios envolvendo homens e mulheres

🕒 Publicado em 18/06/2025 às 16:04

Durante entrevista concedida nesta quarta-feira (18.06) na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o deputado estadual Gilberto Cattani (PL) levantou questionamentos sobre o destaque dado aos crimes classificados como feminicídio no estado. O parlamentar sugeriu que assassinatos de homens, inclusive cometidos por mulheres, recebem menos visibilidade e repercussão na mídia e na sociedade.

“A semana passada teve um caso em que uma mulher matou um homem com facadas aqui também. Quase não se falou nisso. Aconteceu algo parecido em Rondonópolis, e ninguém comenta. Isso é feminismo?”, disse Cattani ao ser abordado por jornalistas nos corredores da Assembleia.

Os dados mais recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública), apontam que entre janeiro e maio de 2025 foram registrados 18 feminicídios em Mato Grosso. O número representa um crescimento de 28,57% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando 14 mulheres foram assassinadas por motivação de gênero. Ainda não há levantamento oficial sobre homicídios de homens cometidos por mulheres.

Entre as vítimas de 2024 está a própria filha do deputado, Raquel Cattani, produtora rural assassinada com 34 facadas em julho daquele ano, na zona rural de Nova Mutum. O principal acusado do crime é seu ex-marido, Romero Machado, que teria ordenado o assassinato durante o processo de separação. O irmão dele, Rodrigo Xavier Mengarde, foi denunciado como executor do crime.

Ao falar sobre o aumento de casos de feminicídio, Cattani afirmou que o problema estaria ligado à instabilidade familiar. “Isso foge da normalidade. Precisamos entender o que está por trás disso. Na minha visão, a causa principal é a desestruturação familiar”, afirmou.

Ele ainda defendeu que relações afetivas saudáveis poderiam evitar situações extremas. “Eu e minha esposa estamos juntos há mais de 30 anos. Nos respeitamos, nos amamos. Isso tem que ser cultivado, tem que ser mantido”, acrescentou.

Questionado sobre o fato de que muitos feminicídios ocorrem durante processos de separação, o deputado reconheceu que o rompimento de uma relação é um direito, mas destacou a importância de evitar conflitos. “Qualquer pessoa pode terminar um relacionamento. Mas isso precisa ser feito de forma pacífica, para que tragédias como a que vivemos não aconteçam novamente”, concluiu.

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