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Canal no Equador se torna símbolo da violência após registro de mais de 100 corpos encontrados

Área localizada em Guayaquil passou de projeto de irrigação agrícola a cenário frequente de desova de vítimas do crime organizado, segundo autoridades e moradores.

🕒 Publicado em 08/07/2026 às 08:48

A escalada da violência provocada pelo crime organizado no Equador transformou um canal de irrigação em um dos locais mais temidos da cidade de Guayaquil. Conhecido entre os moradores como “Canal da Morte”, o trecho já foi palco da localização de mais de 100 corpos nos últimos anos, tornando-se um símbolo da crise de segurança enfrentada pelo país.

Com aproximadamente 45 quilômetros de extensão, o canal atravessa Nueva Prosperina, distrito considerado um dos mais violentos de Guayaquil, principal cidade portuária equatoriana e rota estratégica para o tráfico internacional de drogas.

Originalmente construído para abastecer áreas agrícolas, o local passou a ser utilizado por organizações criminosas para ocultar vítimas de execuções, principalmente após o período da pandemia.

Família encontrou casal entre as vítimas

Entre os casos mais recentes está o de Georgina Bermeo, de 38 anos, localizada sem vida por familiares em maio deste ano.

Segundo relatos, ela e o marido, José Cedeño, de 43 anos, foram assaltados, baleados e posteriormente tiveram os corpos abandonados no canal.

A irmã de Georgina afirmou que a família vive com medo de represálias e, por esse motivo, optou por não registrar denúncia formal contra os responsáveis pelo crime.

Moradores convivem com medo

Quem vive na região relata uma rotina marcada pela insegurança.

O canal é cercado por uma estrada de terra, acúmulo de lixo, vegetação e ausência de iluminação pública ou sistemas de monitoramento. Moradores afirmam que homens armados circulam frequentemente pelo local e controlam o acesso em determinados trechos.

Segundo lideranças comunitárias, a presença constante de corpos encontrados nas águas tornou-se parte da realidade da população, que convive diariamente com o receio da violência.

Mais de 100 corpos retirados

De acordo com a polícia forense equatoriana, mais de uma centena de corpos foi retirada do canal desde 2023.

As vítimas foram encontradas em diferentes circunstâncias, algumas dentro de sacos plásticos e outras com sinais de extrema violência.

Em uma das ocorrências mais impactantes, equipes localizaram uma vala contendo partes de nove corpos humanos.

Para investigadores responsáveis pelos casos, o canal passou a ser utilizado como ponto de descarte de vítimas executadas por organizações criminosas.

Violência segue em alta no Equador

O avanço das facções criminosas continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelo Equador.

Dados oficiais apontam que, somente em 2025, o país registrou média de um homicídio por hora.

Na cidade de Guayaquil, que possui cerca de três milhões de habitantes, mais de 900 assassinatos foram contabilizados entre janeiro e maio deste ano.

Paralelamente, um relatório divulgado pelo Comitê das Nações Unidas para o Combate aos Desaparecimentos Forçados (CED) informou ter recebido denúncias de pelo menos 51 casos de desaparecimentos supostamente envolvendo agentes estatais desde 2024.

As denúncias surgem durante a política de enfrentamento ao crime organizado adotada pelo presidente Daniel Noboa, que governa o país sob sucessivos decretos de estado de exceção desde que assumiu o cargo, em 2023.

Mesmo com o reforço das medidas de segurança, a violência e a atuação das organizações criminosas continuam afetando diversas regiões do Equador.

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