O ex-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), Antônio Galvan, atualmente filiado ao Democracia Cristã (DC), se manifestou contra as medidas judiciais aplicadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no âmbito das investigações sobre supostas ameaças à soberania nacional. Segundo Galvan, as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) representam “excessos” e evidenciam o que ele chama de perseguição política.
Investigado por supostamente financiar atos antidemocráticos, Galvan voltou à cena política com declarações polêmicas durante um ato público em Cuiabá, na noite de terça-feira (22). Durante o evento, ele acusou senadores conservadores de se omitirem ao não pautarem temas como o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e a anistia para os envolvidos nos episódios de 8 de janeiro.
“O que estamos vendo é uma série de arbitrariedades. Bolsonaro está sendo tratado como culpado antes mesmo de ser julgado. As medidas impostas, como tornozeleira eletrônica e restrição de comunicação, são inaceitáveis. Tudo isso sem provas concretas”, afirmou Galvan durante sua fala no evento, que contou com buzinaço organizado por apoiadores da direita.
Galvan também criticou a postura de parlamentares de direita que, em sua visão, falharam em reagir às decisões judiciais. “Essas ações estão acontecendo porque muitos senadores foram covardes e deixaram de defender quem precisava. É por isso que milhares de inocentes estão sendo tratados como criminosos”, disse.
Pré-candidatura ao Senado
Em tom de pré-campanha, Galvan anunciou que pretende concorrer a uma vaga no Senado Federal em 2026 e espera contar com o apoio de Jair Bolsonaro, ainda que estejam em partidos diferentes. Ele garante que, se eleito, uma de suas principais bandeiras será a reestruturação do Supremo Tribunal Federal.
“Na última eleição tive mais de 337 mil votos em Mato Grosso. Agora, com o DC fortalecido, estou disposto a representar aqueles que lutam pela liberdade, pela justiça e pela verdadeira democracia. O Judiciário precisa de uma reforma profunda”, declarou.
Medidas impostas a Bolsonaro
As críticas de Galvan surgem após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que impôs ao ex-presidente Bolsonaro o cumprimento de recolhimento domiciliar das 19h às 7h durante a semana e em tempo integral aos fins de semana e feriados. Além disso, Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica e está proibido de manter contato com autoridades estrangeiras ou de frequentar sedes diplomáticas.
As restrições fazem parte de uma investigação da Polícia Federal, com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), que apura possíveis ações coordenadas para desestabilizar instituições democráticas.




