Estado lidera ranking nacional em 2024, com taxa alarmante de assassinatos de mulheres por motivação de gênero
Palavra-chave curta: feminicídio
Pelo segundo ano seguido, Mato Grosso ocupa a primeira posição no ranking nacional de feminicídios, conforme revela o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2024, foram 47 mulheres assassinadas no estado por motivação de gênero — uma taxa de 2,5 casos para cada 100 mil habitantes, a mais alta do país.
No Brasil, o número total de feminicídios também alcançou um recorde: foram 1.492 casos registrados em 2024, o maior desde que a legislação sobre o crime entrou em vigor, em 2015. O dado representa um crescimento de 1% em relação ao ano anterior, que teve 1.477 ocorrências.
Outros estados com taxas elevadas incluem Mato Grosso do Sul (2,4), Piauí (2,3) e Roraima (2,0). Na contramão, Amapá (0,5), Sergipe (0,8) e Ceará (0,9) apresentaram os menores índices.
Casos seguidos de suicídio e medidas protetivas
O levantamento também destaca que Mato Grosso divide com Santa Catarina e Piauí o maior número de feminicídios seguidos de suicídio do agressor: oito registros desse tipo em 2024. Por outro lado, houve queda nos casos envolvendo vítimas com medidas protetivas: de oito casos em 2023, caiu para apenas um em 2024.
Perfil das vítimas e impactos familiares
Dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso, mostram que a maioria dos crimes ocorreu dentro das casas das vítimas — 24 casos no total. As principais faixas etárias das vítimas estavam entre 18 e 24 anos, e entre 35 e 39 anos.
Os efeitos das tragédias se estendem às famílias: 49 crianças e adolescentes ficaram órfãos no estado em 2024 devido ao feminicídio.
Até julho de 2025, o estado já soma 30 novos casos confirmados.
Violência de gênero em números
A 19ª edição do Anuário também traz estatísticas sobre nove tipos de violência contra a mulher, incluindo homicídios (consumados e tentados), lesão corporal no contexto doméstico, ameaças, perseguição (stalking), violência psicológica e, pela primeira vez, casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência.




