A Organização das Nações Unidas (ONU) fez um novo alerta sobre o agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza, destacando o avanço alarmante da fome e da desnutrição. Segundo o secretário-geral António Guterres, o cenário é de “morte e destruição em nível sem precedentes na história recente”. Ele classificou a situação como insustentável, afirmando que “a fome bate à porta de todos”.
Dados do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos revelam que mais de 1.050 pessoas morreram desde maio ao tentarem obter comida, muitas delas nas proximidades de centros de distribuição mantidos pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), uma entidade que conta com apoio de Israel e dos Estados Unidos. Desse total, 766 mortes ocorreram ao redor de instalações da GHF e 288 em áreas onde comboios da ONU e outras agências atuam.
A GHF retomou a distribuição de cestas básicas apenas no final de maio, após mais de dois meses de bloqueio total imposto por Israel à entrada de ajuda humanitária, período que agravou o risco de fome generalizada. Com base nesses dados, estima-se que uma média de 18 palestinos por dia perdem a vida enquanto esperam por alimentos.
Crianças entre as principais vítimas
O Ministério da Saúde de Gaza, sob administração do Hamas, registrou 33 mortes por fome em apenas dois dias, incluindo 12 crianças. Um bebê de apenas seis semanas está entre as vítimas. Desde outubro de 2023, início do conflito, ao menos 101 pessoas morreram de desnutrição, sendo 80 delas crianças.
Médicos relatam um colapso generalizado do sistema de saúde. O diretor do Hospital Shifa, Mohamed Abu Salmiya, disse que 21 crianças morreram de fome só nesta semana. Ele estima que cerca de 900 mil crianças estejam em situação de insegurança alimentar grave, com 70 mil em estado crítico.
“A desidratação e a anemia são os sintomas mais frequentes. Com os hospitais sobrecarregados por feridos e falta de insumos, a resposta médica à fome é quase inexistente”, relatou.
Fome atinge jornalistas e profissionais da saúde
A crise também afeta trabalhadores humanitários, jornalistas e médicos. Segundo o chefe da UNRWA (Agência da ONU para Refugiados Palestinos), Philippe Lazzarini, profissionais da saúde estão desmaiando de exaustão e fome durante o serviço.
Jornalistas da agência France-Presse (AFP) denunciaram a precariedade em que trabalham, expostos à guerra e à fome. Em carta pública, freelancers da agência relataram que vivem em condições de “miséria absoluta”, sem acesso adequado à água potável e saneamento.
Médicos Sem Fronteiras e a Defesa Civil de Gaza também confirmam o avanço da desnutrição severa em toda a população. Apesar de algumas entregas realizadas pela GHF desde maio, as críticas à falta de coordenação e à escassez de ajuda se intensificam. A ONU e organizações humanitárias cobram abertura de corredores seguros e sustentáveis para evitar o colapso total.




