O vereador Daniel Monteiro (Republicanos) declarou publicamente que agora “sonha acordado” com a possibilidade de disputar a Prefeitura de Cuiabá, reforçando críticas à atual gestão do prefeito Abilio Brunini (PL). A fala acirra a tensão entre os dois, que divergem principalmente sobre a condução da Educação municipal e o pagamento de direitos trabalhistas a professores da rede pública.
“Eu tenho esse sonho, sempre o nutri. Mas antes eu sonhava dormindo, agora eu sonho acordado”, afirmou o parlamentar durante entrevista.
Monteiro já havia sido convidado por Abilio para assumir a Secretaria Municipal de Educação, mas recusou. Na ocasião, o prefeito o acusou de falta de coragem e disse que ele “fugiu da raia”. Em resposta, o vereador justificou a recusa destacando que tem pouco tempo de mandato e que prefere manter sua independência no Legislativo. Ele também elogiou o atual secretário da pasta, Amauri Monge.
Conflito sobre pagamento de férias aos professores
O estopim do conflito entre os dois foi a discussão sobre o pagamento do terço de férias aos professores, suspenso por Abilio e depois parcialmente recuado. Monteiro criticou a decisão do prefeito, afirmando que o impacto seria pequeno no orçamento da Educação e que os profissionais merecem respeito e valorização.
“O orçamento da prefeitura para a Educação é de R$ 1 bilhão. Estamos falando de 0,5%, cerca de R$ 5 milhões. É esse valor que vai quebrar a prefeitura? Isso é um direito dos professores!”, questionou.
Mesmo após o recuo do prefeito, o valor acumulado em atrasos, que chega a R$ 30 milhões desde 2020, não será quitado este ano, segundo o Executivo.
Vereador prefere independência na Câmara
Sobre o convite para chefiar a Educação, Daniel Monteiro foi enfático:
“É cedo para sair do Legislativo. Quero manter minha independência. E o secretário Amauri tem competência, mas precisa ter autonomia, o que é difícil com as interferências do prefeito”, afirmou.
Ele também condenou as declarações de Abilio que responsabilizavam os professores pelo cenário da Educação em Cuiabá e ameaçavam a privatização do setor.




