domingo, setembro 6, 2026
22 C
Cuiabá
spot_img
NOTÍCIARé será julgada por feminicídio e roubo de bebê em caso brutal...

Ré será julgada por feminicídio e roubo de bebê em caso brutal que chocou Cuiabá

Justiça reconhece oito crimes contra Nataly Helen, que matou adolescente grávida e forjou parto para ficar com recém-nascido

🕒 Publicado em 21/07/2025 às 17:56

A Justiça de Cuiabá decidiu que Nataly Helen Martins Pereira irá a julgamento pelo Tribunal do Júri, após ser pronunciada por oito crimes ligados ao assassinato brutal de Emelly Beatriz Azevedo Sena, uma adolescente de 16 anos grávida. O crime chocou a capital mato-grossense pela crueldade e premeditação, envolvendo assassinato, roubo de bebê e uso de documentos falsos.

A decisão foi proferida na sexta-feira (18) pelo juiz Francisco Ney Gaíva, da 14ª Vara Criminal, que também manteve a prisão preventiva da acusada. A partir de agora, o caso tramitará na 1ª Vara Criminal, responsável pelos julgamentos do Tribunal do Júri.

A defesa tentou alegar inimputabilidade penal, com base em supostos distúrbios psicológicos da ré, mas o pedido para instauração de incidente de insanidade mental foi negado pela ausência de laudos médicos ou indícios concretos.

Oito crimes e feminicídio com agravantes

Além do feminicídio qualificado, Nataly foi pronunciada pelos seguintes delitos:

  • Tentativa de aborto sem consentimento;
  • Ocultação de cadáver;
  • Subtração de criança com fins de entrega a terceiros;
  • Parto simulado;
  • Fraude processual;
  • Falsificação de documento particular;
  • Uso de documento falso.

O Ministério Público destacou que o crime teve motivação baseada na objetificação da vítima, sendo agravado por ter ocorrido durante a gravidez, com meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da adolescente.

O promotor de Justiça Rinaldo Segundo elogiou a decisão judicial por reconhecer o direito à maternidade como um direito reprodutivo e, neste caso, negado à vítima. Ele ressaltou ainda que a decisão amplia a interpretação do feminicídio, considerando o desprezo à condição feminina independentemente da misoginia direta.

Como o crime aconteceu

De acordo com a denúncia, Nataly atraiu Emelly até sua casa, no bairro Jardim Florianópolis, sob o pretexto de doar roupas de bebê. Lá, a adolescente foi rendida com um golpe “mata-leão”, teve os braços e pernas amarrados, a cabeça coberta por sacos plásticos e, em seguida, foi submetida a um procedimento improvisado para retirada do bebê ainda vivo.

O laudo apontou que a morte ocorreu por choque hemorrágico. O corpo da jovem foi enterrado no quintal da residência. Depois do crime, Nataly procurou atendimento hospitalar alegando que havia dado à luz em casa, utilizando documentos falsificados para sustentar a farsa.

O caso segue agora para julgamento pelo Tribunal do Júri, e a ré continuará presa preventivamente até a realização do julgamento.

COLUNAS
spot_img
NOTICIAS
spot_img
LEIA MAIS