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Pesquisadores da UFMT descobrem potencial do pequi e óleo de milho contra Alzheimer e Parkinson

Estudos avançados com moscas-da-fruta revelam alternativas naturais promissoras para tratar doenças neurodegenerativas

🕒 Publicado em 20/07/2025 às 17:58

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) estão no centro de uma descoberta científica que pode revolucionar o tratamento de doenças como Alzheimer e Parkinson. Utilizando a Drosophila melanogaster — popularmente conhecida como mosca-da-fruta —, os estudos mostram que compostos naturais presentes no pequi roxo, óleo de peixe e, surpreendentemente, no óleo de milho, têm potencial para retardar o avanço de doenças neurológicas.

A pesquisa, que começou em 2021 sob a liderança do professor Dr. Anderson de Oliveira Souza, aproveita a estrutura genética similar entre humanos e drosófilas para testar, com eficiência e rapidez, substâncias naturais que podem interferir positivamente nos sintomas dessas condições.

“É um animal pequeno, mas com um potencial científico gigantesco. Podemos inserir DNA humano no ovo da mosca e gerar indivíduos já programados para desenvolver doenças humanas”, explica o professor Anderson.

O laboratório da UFMT conta com 14 pesquisadores, entre alunos de iniciação científica, mestrandos e doutorandos. As moscas são mantidas em ambiente controlado e já nascem com predisposição genética para Alzheimer. No caso do Parkinson, a condição é induzida com substâncias químicas.

Pequi Roxo: fruta regional mostra eficácia no combate ao envelhecimento celular

A mestranda Maria Eduarda Silva Soares dedica sua pesquisa ao estudo dos efeitos do pequi roxo, fruto típico do cerrado. Em sua primeira fase, o extrato do pequi demonstrou melhora de até 40% na atividade locomotora das moscas, aumento da longevidade e retardamento do envelhecimento de células cerebrais e musculares.

Atualmente, ela avança na fase de testes em insetos geneticamente modificados para desenvolver Alzheimer. Seu foco é entender se os compostos do fruto podem retardar o avanço da doença. A pesquisa tem parceria com a Universidade Federal do Amazonas (UFAM), que fornece os frutos para análise.

“Nosso objetivo é oferecer alternativas naturais e menos agressivas do que os medicamentos sintéticos disponíveis hoje, que muitas vezes trazem efeitos colaterais graves”, afirma Maria Eduarda.

Do laboratório à cozinha: óleo de milho surpreende e supera até o ômega 3

Já a doutoranda Jadyellen Rondon, do programa de Biodiversidade e Biotecnologia, também investiga o Alzheimer, mas com foco na ação das mitocôndrias e no uso de óleos naturais. Inicialmente, seu estudo se concentrava no ômega 3 do óleo de peixe — substância já conhecida por seus efeitos positivos no cérebro.

Porém, um dado inesperado mudou os rumos do projeto: o óleo de milho, que seria usado como controle neutro, apresentou resultados superiores ao próprio ômega 3, aumentando a expectativa de vida das drosófilas com Alzheimer.

“Era para ser apenas um controle, mas teve um desempenho melhor que o óleo de peixe. Isso me fez repensar todo o direcionamento da pesquisa”, contou ela.

A descoberta já foi publicada na renomada revista científica MDPI, e Jadyellen considera aprofundar os estudos com o óleo vegetal, produzido localmente em Mato Grosso, o que pode representar um avanço regional e acessível no combate à doença.

Desafios e futuro promissor

Apesar das descobertas animadoras, o grupo de pesquisa enfrenta limitações orçamentárias e falta de apoio financeiro para ampliar os testes. Ainda assim, os pesquisadores seguem determinados. Em breve, os estudos também incluirão testes voltados à epilepsia, ampliando ainda mais o potencial de impacto na saúde pública.

Os avanços da UFMT mostram que a ciência feita no Centro-Oeste brasileiro tem capacidade de contribuir de forma significativa com soluções globais — usando, inclusive, produtos típicos da nossa biodiversidade.

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