O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, deixou claro que a construção de um estádio próprio para o clube só acontecerá se não houver necessidade de transformar o Flamengo em uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol). A declaração foi feita durante o Mundial de Clubes, nos Estados Unidos, onde o Rubro-Negro faz o jogo com neste domingo (29) com Bayern de Munique, clube que adota justamente um modelo híbrido de gestão empresarial.
Enquanto esteve no comando do clube, o ex-presidente Rodolfo Landim, antigo aliado e hoje rival político de Bap, mostrou interesse pelo modelo adotado pelo time alemão. Em 2022, Landim viajou à Europa para acompanhar a final da Champions League, entre Real Madrid e Liverpool, e aproveitou para conhecer de perto o funcionamento da estrutura empresarial do Bayern, que mantém o controle majoritário do futebol profissional por meio de uma empresa, a Bayern AG.
Atualmente, o clube alemão detém 75% das ações da empresa, enquanto os outros 25% são divididos entre seus três principais patrocinadores: Adidas, Audi e Allianz, cada um com 8,33%. A venda dessas participações foi determinante para viabilizar a construção da Allianz Arena, estádio do Bayern.
Estrutura de governança sob controle do clube
Segundo Landim, a estrutura permite que o clube mantenha o controle das decisões estratégicas. “O Bayern tem nove conselheiros, sendo três indicados pelos investidores minoritários e seis pelo próprio clube. Isso garante que o Bayern continue comandando a operação, mesmo com sócios comerciais na empresa que administra o futebol”, explicou à época, defendendo o modelo como alternativa viável para o Flamengo construir seu estádio.
Apesar das vantagens apontadas por seu antecessor, Bap assumiu uma postura oposta. Durante reunião com conselheiros, reforçou que não aceitará comprometer a estrutura associativa nem a performance esportiva do clube por conta de uma possível SAF.
“Não tomarei nenhuma decisão baseada em emoção. Se não houver absoluta certeza de que o projeto do estádio não forçar o Flamengo a virar uma SAF ou prejudicar o desempenho esportivo, simplesmente não vamos levar adiante”, afirmou o presidente.
A declaração de Bap reforça o atual posicionamento da diretoria em manter o Flamengo sob o controle de seus associados, mesmo diante dos desafios financeiros e estruturais para a construção de uma arena própria. A alternativa agora passa por buscar soluções que respeitem esse modelo de gestão e viabilizem o sonho da casa própria para o clube.




