A comoção pela morte da brasileira Juliana Marins, que caiu de uma trilha estreita durante uma expedição ao monte Rinjani, na Indonésia, reacendeu o debate sobre os cuidados necessários em viagens de aventura. O caso, amplamente repercutido no Brasil e no exterior, trouxe à tona os riscos de trilhas remotas e a importância da segurança coletiva em atividades ao ar livre.
Juliana teria se sentido cansada e parado por alguns minutos durante a subida. O grupo seguiu adiante, mas ao retornar, a jovem já havia caído em um barranco de cerca de 300 metros. A demora no resgate e a falta de suporte imediato levantaram críticas e reflexões sobre o preparo de grupos e agências de turismo em trilhas desse tipo.
Felipe Campos, guia de turismo cadastrado no Ministério do Turismo e engenheiro florestal pela UFMT, destaca que a segurança em trilhas começa com a união do grupo. “Jamais se deve deixar alguém para trás. Em grupos grandes, é essencial ter pelo menos dois guias: um na frente e outro na retaguarda”, orienta.
Principais recomendações para viajantes:
- Nunca se separe do grupo: A divisão de integrantes é um dos principais riscos em trilhas. O ideal é que todos caminhem juntos, monitorados por guias experientes.
- Siga sempre as orientações do guia: Eles conhecem o terreno, os perigos naturais e os pontos mais seguros para paradas, mergulhos ou descanso.
- Planeje com antecedência: Desde a escolha da trilha, equipamentos adequados e condições climáticas até o histórico da empresa ou guia responsável.
- Tenha um seguro viagem: Felipe lembra que esse tipo de cobertura pode ser crucial, inclusive em casos extremos, como acidentes graves ou traslado de corpo, como ocorreu com Juliana.
- Verifique o credenciamento da agência: Use plataformas como Cadastur (do Ministério do Turismo) para confirmar se guias e operadoras estão regularizados.
- Mulheres viajando sozinhas: Devem redobrar os cuidados, buscar avaliações de outras viajantes e, se possível, se unir a grupos com maior presença feminina.
Segundo Felipe, “é fundamental pensar que situações emergenciais podem acontecer com qualquer um. Ter empatia e responsabilidade coletiva salva vidas”.
Entenda o caso Juliana Marins
Juliana caiu durante uma trilha em um dos pontos mais desafiadores do monte Rinjani. Apesar das buscas com drones e helicópteros, o resgate foi dificultado pelo terreno íngreme e o mau tempo. A jovem foi localizada dias depois, já sem vida. A autópsia revelou que ela faleceu cerca de 20 minutos após a queda, por traumas múltiplos.
O caso gerou mobilização nas redes sociais e críticas à condução das buscas pelas autoridades locais. A demora no resgate levantou questionamentos sobre protocolos de segurança para turistas estrangeiros na região.




