Pelo menos 72 pessoas morreram em Gaza entre a noite de sexta-feira (27.06) e o sábado (28.06) em novos bombardeios conduzidos por Israel. Entre as vítimas estão famílias inteiras, incluindo três crianças, que foram atingidas enquanto dormiam em um acampamento na região de Khan Younis, ao sul do território.
Outros ataques foram registrados em diversas áreas da Faixa de Gaza, como perto do Estádio Palestino, onde 12 pessoas morreram, e em apartamentos na Cidade de Gaza. Hospitais locais confirmaram ao menos 20 corpos no Hospital Nasser, 11 mortos em uma rua no leste da cidade e cinco crianças entre os oito mortos em outro bombardeio.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 6 mil palestinos morreram apenas desde o fim do último cessar-fogo, totalizando mais de 56 mil mortes desde o início da guerra, em outubro de 2023. Israel afirma que seus alvos são exclusivamente militantes do Hamas, embora grande parte das vítimas seja composta por mulheres e crianças.
Esperança por cessar-fogo cresce
O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que negociações para um novo cessar-fogo podem avançar já na próxima semana. A sinalização ocorre após o ministro israelense de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, agendar uma visita a Washington para conversas sobre o conflito, Irã e questões regionais.
A pressão interna também aumenta. Famílias de reféns israelenses mantidos pelo Hamas esperam que um novo acordo alivie a crise. Estima-se que cerca de 50 reféns ainda estejam em Gaza — menos da metade vivos. O Hamas já declarou estar disposto a libertá-los em troca do fim da guerra, proposta rejeitada por Israel.
Crise humanitária e mortes por fome
Além dos bombardeios, a fome se tornou outra face trágica do conflito. Com restrições severas à entrada de alimentos e ajuda humanitária, centenas de palestinos morreram enquanto tentavam buscar comida. A Fundação Humanitária de Gaza relata mais de 500 mortos e centenas de feridos apenas neste mês.
Civis relatam que tropas israelenses disparam contra multidões famintas que tentam alcançar pontos de distribuição de comida. O exército israelense alega que apenas tiros de advertência foram disparados, e que está apurando os casos.
A ONU também enfrenta dificuldades em fornecer ajuda, diante de gangues armadas e do desespero generalizado entre a população.
Cenário sem solução à vista
Enquanto diplomatas negociam e civis sofrem, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu continua afirmando que só encerrará a guerra com o desmantelamento completo do Hamas. O grupo, por sua vez, recusa a rendição e mantém o apelo por um cessar-fogo imediato.
O conflito, que já dura 21 meses, segue sem solução definitiva — e com milhares de vidas ceifadas a cada nova ofensiva.




