quinta-feira, agosto 20, 2026
20 C
Cuiabá
spot_img
NOTÍCIAEmpresário investigado tentou fraude de R$ 15 milhões no BNDES para ampliar...

Empresário investigado tentou fraude de R$ 15 milhões no BNDES para ampliar esquema de roubo de grãos

Operação Safra 3 revela que acusado pretendia usar empréstimo para fortalecer organização criminosa envolvida no desvio de cargas em Mato Grosso

🕒 Publicado em 27/06/2025 às 09:40

Um empresário do setor de transporte, investigado por envolvimento em um esquema que desviou mais de R$ 20 milhões em cargas de grãos de propriedades rurais de Mato Grosso, tentou obter ilegalmente R$ 15 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A tentativa de fraude foi descoberta durante a terceira fase da Operação Safra, deflagrada pela Polícia Civil nesta terça-feira (24).

De acordo com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o objetivo do empréstimo fraudulento era impulsionar as ações do grupo criminoso, do qual o empresário é apontado como operador financeiro. Ele também teria oferecido propina de R$ 500 mil em dinheiro vivo a um contato em Brasília para agilizar a liberação do crédito.

Conforme a investigação, o empresário utilizava a frota de caminhões de sua transportadora no transporte das cargas desviadas. Além disso, era o responsável pela articulação dos pagamentos destinados aos demais membros da quadrilha.

A terceira etapa da Operação Safra cumpriu 63 mandados judiciais contra suspeitos de envolvimento no roubo e desvio de cargas de soja e milho em diversas propriedades do estado. Nesta fase, o foco principal foi o líder financeiro do esquema, considerado peça-chave para a movimentação criminosa.

As fraudes envolvendo o BNDES vieram à tona após a análise de materiais apreendidos durante a segunda fase da operação. As provas apontam que o empresário e sua empresa serviam de elo entre o responsável pelo aliciamento e o operador comercial da organização.

Em junho de 2022, ele teria iniciado um processo para obter um empréstimo de R$ 5 milhões com a justificativa de ampliar a frota de caminhões. O plano, no entanto, tinha como real intenção o fortalecimento das operações ilícitas de transporte e furto de grãos no estado.

Para garantir a liberação do crédito, o empresário planejava entregar R$ 500 mil em espécie — equivalente a 10% do valor do primeiro saque — a um contato em Brasília. O pagamento serviria como propina para assegurar a liberação inicial de R$ 5 milhões do empréstimo, dentro de um acordo total que previa captar até R$ 15 milhões junto ao BNDES.

Apreensão do dinheiro

Com o avanço das investigações, equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), com o apoio da Polícia Rodoviária Federal e da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Primavera do Leste, conseguiram frustrar a ação criminosa. O empresário foi preso em flagrante transportando os R$ 500 mil em uma caminhonete Chevrolet S-10, na região de Primavera do Leste.

A apuração revelou que o investigado mantinha ligações diretas com integrantes do grupo criminoso, por meio de transações financeiras vultosas. Entre as movimentações detectadas, estavam transferências bancárias que variavam entre R$ 43 mil e R$ 210 mil, direcionadas à esposa e à ex-esposa de um dos envolvidos no esquema.

O delegado Gustavo Colognesi Belão, responsável pela operação, destacou que as provas demonstram claramente a parceria ilícita entre os integrantes do grupo. “As investigações comprovam a aliança criminosa entre os investigados, mostrando que tanto o aliciador quanto o operador financeiro do esquema são responsáveis pelos prejuízos milionários às vítimas”, afirmou.

Operação Safra 3

Na terceira fase da operação, as investigações focaram no desvio de grãos de fazendas estratégicas do estado, entre elas Guapirama, Sulina, Colorado, Kesoja e Fazenda Feliz, todas produtoras de soja e milho.

O grupo criminoso aliciava funcionários das propriedades, como operadores de balança, gerentes e trabalhadores envolvidos no carregamento, para permitir a entrada de caminhões sem documentação fiscal ou registro oficial. Assim, as cargas eram retiradas diretamente dos silos ou áreas de armazenagem sem gerar suspeitas imediatas.

A quadrilha contava ainda com uma estrutura de logística complexa e sofisticada. Após o furto, os caminhões levavam os grãos para uma empresa em Cuiabá — já identificada na segunda fase da operação — onde o produto era regularizado com a emissão de notas fiscais falsas.

Além disso, a organização mantinha núcleos voltados à falsificação de documentos e lavagem de dinheiro, para dar aparência legal às operações e ocultar os valores obtidos com o crime.

COLUNAS
spot_img
NOTICIAS
spot_img
LEIA MAIS