A tensão em torno do programa nuclear iraniano voltou a crescer após o alerta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que declarou neste domingo (23.06) que não sabe onde estão armazenados cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, quantidade que preocupa por estar próxima ao grau necessário para fins bélicos.
De acordo com o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, os inspetores não têm acesso ao material desde o dia 10 de junho. Três dias após essa última verificação, instalações nucleares iranianas em Isfahan e Natanz foram alvos de ataques militares coordenados por Israel e Estados Unidos, o que dificultou ainda mais as inspeções no país.
Irã protege material, mas não informa localização
Em entrevista à CNN, Grossi explicou que o Irã admitiu ter “protegido” o urânio após os bombardeios, porém não revelou onde o material está sendo mantido. O governo iraniano, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, informou à agência que medidas especiais de segurança foram adotadas para preservar o estoque, mas se recusou a detalhar qualquer movimentação.
“Estamos diante de uma situação extremamente delicada. É essencial saber onde está esse urânio e garantir que não será desviado para usos militares”, afirmou Grossi durante reunião com o conselho de governadores da AIEA.
Apelo por retorno das inspeções
A agência da ONU reiterou seu apelo para que os inspetores possam retornar ao Irã com segurança e urgência, de modo a confirmar o estado dos estoques e garantir que o país continue respeitando os limites definidos nos acordos internacionais.
Escalada militar agrava tensão regional
Os recentes ataques às usinas nucleares iranianas — incluindo a de Fordow, construída sob uma montanha — aumentaram a instabilidade no Oriente Médio e geraram preocupações com a proliferação nuclear. Grossi defendeu a suspensão imediata dos confrontos e o restabelecimento do diálogo diplomático.
O desaparecimento do urânio enriquecido coloca em xeque a transparência do programa nuclear do Irã e acende um novo alerta para a comunidade internacional, especialmente em um momento de fragilidade diplomática e crescente militarização da região.




