Apesar da escalada nas tensões após o ataque dos Estados Unidos a instalações nucleares do Irã, especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que não há risco iminente de uma Terceira Guerra Mundial. O confronto, segundo eles, deve se restringir ao Oriente Médio, embora possa gerar efeitos severos na economia global.

Segundo Kai Enno Lehmann, professor de Relações Internacionais da USP, apenas China e Estados Unidos possuem capacidade militar para sustentar uma guerra de grande escala — mas ambos evitam esse caminho por não terem interesse direto em ampliar o conflito. Já Europa e Rússia, aponta Lehmann, enfrentam limitações logísticas e políticas, como o envolvimento russo na Ucrânia.
A professora Carolina Pavese, PhD em Relações Internacionais e docente do Instituto Mauá, também não acredita em um cenário de guerra mundial. Para ela, a divisão de posições entre países europeus e o histórico de conflitos regionais envolvendo potências globais — como na Síria e na Ucrânia — reforçam que o envolvimento direto permanece improvável.
O professor Fernando Brancoli, da UFRJ, explica que tanto China quanto Rússia apoiam o Irã de forma indireta — com apoio logístico, diplomático ou de inteligência —, mas evitam o confronto direto com os Estados Unidos. “Eles vão até onde podem, mas não arriscam a relação com Washington”, pontua.
Mesmo assim, o cenário é instável. O Irã, pressionado por opositores internos e externos, pode retaliar. Uma das medidas em discussão é o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Se confirmada, essa decisão pode impactar duramente o comércio internacional e elevar os preços globais do petróleo.

Carolina Pavese alerta que essa possível ação pode prejudicar até aliados do Irã, como China, Rússia e Índia, todos dependentes da rota marítima. Como alternativa, o Irã pode recorrer a grupos paramilitares em países como Iêmen e Líbano ou mesmo abandonar acordos sobre seu programa nuclear.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta críticas internas, inclusive de aliados republicanos, por autorizar os bombardeios sem consulta ao Congresso. Analistas alertam que os impactos econômicos da crise podem pressionar a inflação, afetar o crescimento e tornar sua gestão ainda mais instável em ano eleitoral.




