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Especialistas descartam Terceira Guerra após ataque dos EUA ao Irã, mas alertam para crise global

Conflito deve se concentrar no Oriente Médio e ter impacto econômico, mas sem envolver superpotências em escala mundial

🕒 Publicado em 22/06/2025 às 18:04

Apesar da escalada nas tensões após o ataque dos Estados Unidos a instalações nucleares do Irã, especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que não há risco iminente de uma Terceira Guerra Mundial. O confronto, segundo eles, deve se restringir ao Oriente Médio, embora possa gerar efeitos severos na economia global.

Imagem de satélite mostra região de Fordow, no Irã, depois de bombardeio dos EUA à instalação nuclear subterrânea

Segundo Kai Enno Lehmann, professor de Relações Internacionais da USP, apenas China e Estados Unidos possuem capacidade militar para sustentar uma guerra de grande escala — mas ambos evitam esse caminho por não terem interesse direto em ampliar o conflito. Já Europa e Rússia, aponta Lehmann, enfrentam limitações logísticas e políticas, como o envolvimento russo na Ucrânia.

A professora Carolina Pavese, PhD em Relações Internacionais e docente do Instituto Mauá, também não acredita em um cenário de guerra mundial. Para ela, a divisão de posições entre países europeus e o histórico de conflitos regionais envolvendo potências globais — como na Síria e na Ucrânia — reforçam que o envolvimento direto permanece improvável.

O professor Fernando Brancoli, da UFRJ, explica que tanto China quanto Rússia apoiam o Irã de forma indireta — com apoio logístico, diplomático ou de inteligência —, mas evitam o confronto direto com os Estados Unidos. “Eles vão até onde podem, mas não arriscam a relação com Washington”, pontua.

Mesmo assim, o cenário é instável. O Irã, pressionado por opositores internos e externos, pode retaliar. Uma das medidas em discussão é o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial. Se confirmada, essa decisão pode impactar duramente o comércio internacional e elevar os preços globais do petróleo.

Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, está sob pressão para reagir aos ataques

Carolina Pavese alerta que essa possível ação pode prejudicar até aliados do Irã, como China, Rússia e Índia, todos dependentes da rota marítima. Como alternativa, o Irã pode recorrer a grupos paramilitares em países como Iêmen e Líbano ou mesmo abandonar acordos sobre seu programa nuclear.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta críticas internas, inclusive de aliados republicanos, por autorizar os bombardeios sem consulta ao Congresso. Analistas alertam que os impactos econômicos da crise podem pressionar a inflação, afetar o crescimento e tornar sua gestão ainda mais instável em ano eleitoral.

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