segunda-feira, agosto 17, 2026
25 C
Cuiabá
spot_img
NOTÍCIAHomem é preso por matar companheira para obter herança, após forjar dívida...

Homem é preso por matar companheira para obter herança, após forjar dívida com facção

Investigações da Polícia Civil revelam farsa sobre envolvimento do crime organizado e apontam motivação financeira no assassinato de Maria Aparecida

🕒 Publicado em 15/06/2025 às 09:58

A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na última sexta-feira (13), um homem de 38 anos acusado de matar sua companheira, Maria Aparecida Gonçalves da Silva, de 39 anos. O feminicídio ocorreu em 5 de junho, no município de Água Boa, e teria sido motivado por interesses financeiros. O suspeito foi localizado na casa da irmã, em Ribeirão Cascalheira.

No dia do crime, o investigado compareceu à delegacia local alegando ter encontrado a vítima morta e coberta de sangue dentro da residência do casal. Ele afirmou ter saído para trabalhar às 7h30 e, sem conseguir contato com Maria Aparecida, retornou e a encontrou sem vida. Segundo o relato inicial, ela estaria sendo ameaçada por integrantes de uma facção criminosa devido a uma suposta dívida de R$ 40 mil.

No entanto, as investigações coordenadas pelo delegado Danilo Rodrigues Barbosa desmontaram essa versão. A equipe pericial constatou que a vítima foi assassinada com golpes de um objeto contundente, provavelmente uma ferramenta de trabalho, como uma chave de roda — compatível com a profissão do suspeito, que atua como mecânico.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a residência não apresentava sinais de arrombamento, e todos os pertences da vítima, incluindo celular e motocicleta, permaneciam no local. O fato de o homem ter procurado a delegacia antes de pedir socorro ou avisar vizinhos também gerou desconfiança.

Análises do celular da vítima revelaram que o casal vivia um relacionamento conturbado e estava em processo de separação. Maria Aparecida não queria mais que o companheiro permanecesse na casa e havia restringido o acesso dele ao imóvel. Havia também uma ação judicial em andamento, com valores a serem recebidos pela vítima, o que pode ter despertado o interesse financeiro do suspeito.

De forma suspeita, no mesmo dia do crime, o investigado procurou o advogado da família de Maria Aparecida tentando oficializar uma união estável com ela — tentativa vista como estratégia para garantir direitos sobre a possível herança. Ele ainda pediu dinheiro ao advogado, o que reforçou a tese de motivação econômica.

A polícia descobriu ainda que o suspeito já possuía passagens por violência doméstica. Além disso, mentiu em seu depoimento sobre suas ações na noite anterior e na madrugada do homicídio. A versão de envolvimento do crime organizado foi completamente descartada, já que não havia indícios de dívidas com facções e nenhuma movimentação estranha foi registrada nas proximidades da residência.

Após o assassinato, o homem fugiu para Ribeirão Cascalheira e chegou a ser agredido por membros de uma facção criminosa, após tentar atribuir a autoria do crime ao grupo. Para se safar, inventou nova versão, alegando que a dívida era com uma facção rival — o que também não foi comprovado.

Diante dos indícios, o delegado responsável pediu a prisão preventiva do suspeito, que foi acatada pela Justiça. Além da prisão, um novo aparelho celular foi apreendido com ele e será periciado.

Apesar das provas, o suspeito continua negando o crime e alternando versões sobre a suposta dívida de Maria Aparecida.

COLUNAS
spot_img
NOTICIAS
spot_img
LEIA MAIS