O governo de Mato Grosso repassou, em 2024, mais de R$ 228 milhões a quatro empresas de crédito consignado – Capital Consig, Cartos Sociedade de Crédito, BemCartões e ClickBank –, todas ligadas ao mesmo grupo econômico. As companhias estão sendo investigadas após denúncias de irregularidades e descontos não autorizados nos contracheques de mais de 12 mil servidores e pensionistas estaduais.
De acordo com levantamento publicado pelo jornal A Gazeta, somente a Capital Consig movimentou cerca de R$ 137,2 milhões com esse tipo de operação neste ano. Entre janeiro e maio, período em que já havia reclamações formais do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig), a empresa arrecadou R$ 61 milhões, média de R$ 12 milhões por mês.
A ClickBank, outra empresa do grupo, recebeu R$ 18,5 milhões ao longo de 2024, sendo R$ 9,3 milhões apenas nos primeiros cinco meses. Após denúncias dos sindicatos, a empresa teve suas atividades suspensas pelo governo. A Cartos movimentou R$ 1,47 milhão no mesmo período, enquanto a BemCartões teve o menor faturamento, com R$ 169 mil em 2024 e R$ 157 mil até maio.
Denúncias e medidas do governo
O caso ganhou repercussão após o Sinpaig denunciar cobranças indevidas feitas pela Capital Consig. Como resposta, o Executivo estadual suspendeu temporariamente os descontos referentes aos contratos firmados com a empresa e instituiu uma força-tarefa para investigar o caso.
Mesmo após a suspensão, novas denúncias apontaram que a Capital Consig continuava operando por meio de outras empresas do grupo, como Cartos, ClickBank e BemCartões. O governo, por meio da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), decidiu ampliar a suspensão para todas as instituições envolvidas.
Documentos internos revelados recentemente mostram que o governo tinha conhecimento das denúncias desde novembro de 2023, segundo relato de Natan Domingues da Silva Junior, coordenador de Controle das Consignações, e Geonir Paulo Schnorr, secretário-adjunto de Gestão de Pagamento de Pessoal.
Posicionamento da Capital Consig
Em nota, a Capital Consig afirma que está sendo alvo de uma campanha difamatória com o objetivo de tirá-la do mercado de consignados do Estado. A empresa defende que suas operações seguem os critérios legais e que todos os contratos possuem autorização expressa dos servidores.
A empresa argumenta que, ao assumir os contratos, teria oferecido melhores condições de crédito aos funcionários públicos, substituindo linhas de crédito rotativo por contratos com parcelas fixas, prazos determinados e juros mais baixos do que os praticados pelos grandes bancos.
Segundo a Capital Consig, o modelo adotado foi desenvolvido com base nas normas do Banco Central e nas diretrizes do governo estadual, e contou com ampla adesão dos servidores.




