A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) passou a integrar oficialmente a lista de difusão vermelha da Interpol — um alerta internacional utilizado para localizar e prender foragidos da Justiça. A inclusão foi aprovada nesta quinta-feira (05.06) por um comitê da organização internacional com sede em Lyon, na França, após solicitação da Polícia Federal e autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Zambelli deixou o Brasil na terça-feira (03.06), segundo informou sua assessoria, e encontra-se atualmente na Flórida, nos Estados Unidos. Para Moraes, a parlamentar teria saído do país com a intenção de escapar da Justiça, às vésperas do julgamento de recursos contra sua condenação, além da possível perda do mandato parlamentar.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou sobre o risco de que Zambelli descumpra futuras decisões judiciais e continue envolvida em atividades ilegais. Na decisão, Moraes argumentou que suas ações representam ataques diretos ao Estado Democrático de Direito, com base na continuidade da disseminação de desinformação sobre o sistema eleitoral e o Judiciário brasileiro.
Além do mandado de prisão internacional, outras medidas foram determinadas: bloqueio de contas bancárias, suspensão de verbas da Câmara destinadas ao seu gabinete e a remoção de seus perfis nas redes sociais. O ministro também determinou o congelamento de bens ligados à parlamentar.
Zambelli reagiu por meio de nota, acusando Moraes de abuso de poder e prometendo denunciar o caso a instâncias internacionais. “O mundo precisa saber que, no Brasil, ministros do Supremo agem como imperadores”, declarou, classificando as decisões como uma forma de perseguição política.
Diferentemente de outros nomes ligados à extrema-direita, como Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, que tiveram pedidos negados pela Interpol, o nome de Zambelli foi aceito após avaliação do comitê internacional.
A Câmara dos Deputados será formalmente comunicada da situação. Caso a parlamentar seja detida em território estrangeiro, caberá ao plenário decidir sobre a manutenção da prisão.




