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Acusada injustamente no caso Zampieri, mulher relata traumas e perseguição mesmo após ser solta

Maria Angélica Caixeta, que ficou 30 dias presa, afirma viver sob medo e discriminação após ser apontada como suspeita em assassinato do advogado Roberto Zampieri

🕒 Publicado em 07/06/2025 às 07:22

Após prisão injusta, mulher relata medo constante e traumas familiares irreparáveis

Mais de um ano após deixar a prisão, Maria Angélica Caixeta ainda tenta reconstruir sua vida. Em dezembro de 2023, ela foi detida sob a suspeita de envolvimento na morte do advogado Roberto Zampieri. Embora tenha permanecido apenas 30 dias presa e não tenha sido indiciada pela Polícia Civil, Maria afirma que as consequências do episódio ainda são profundas — tanto em sua vida pessoal quanto familiar.

A prisão ocorreu em Minas Gerais, com base em uma denúncia anônima que, segundo ela, jamais foi investigada com o devido rigor. O motivo alegado teria sido um conflito com o advogado, que antes atuava em sua defesa em processos sobre disputas territoriais. Após desentendimentos, Maria rescindiu o contrato e apresentou denúncias formais contra ele. “Jamais imaginei que exercer meu direito de defesa pudesse me colocar nessa posição”, desabafa.

Durante entrevista, ela relatou os momentos mais difíceis vividos após a prisão: o impacto emocional na filha pequena, o nascimento prematuro do bebê, a morte do irmão com a saúde agravada pela situação e até uma tentativa de invasão à sua residência. “Foi o período mais sombrio da minha vida. Até hoje, convivemos com as consequências. A Justiça me soltou, mas não me devolveu à vida”, afirma.

Hostilidade e discriminação após a liberdade

Mesmo após sua libertação e sem qualquer acusação formal, Maria relata que ainda é alvo de olhares desconfiados, calúnias e perseguições. “Pessoas conhecidas e até estranhos se sentem no direito de me julgar e me hostilizar. É como se achassem que jamais haverá punição por isso”, afirma.

Ela reforça que não acompanha de perto os desdobramentos do caso Zampieri por receio e desgaste emocional. “É assustador tudo o que aconteceu. E ainda tenho medo de quem denunciei anteriormente.”

Detalhes do caso Zampieri

O advogado Roberto Zampieri, de 56 anos, foi assassinado em 5 de dezembro de 2023, em Cuiabá. Ele estava dentro de seu carro, uma picape Fiat Toro, quando foi alvejado a tiros na frente de seu escritório, no bairro Bosque da Saúde.

As investigações da Polícia Civil apontaram Aníbal como o mandante do crime, Etevaldo e Hedilerson como intermediários, e Antônio como o executor. Também foi apontado que o financiamento da execução teria vindo do coronel reformado Luiz Caçadini. Todos os envolvidos estão presos.

Maria Angélica, no entanto, foi detida com base apenas em uma suspeita inicial e solta após não serem encontradas provas de envolvimento. “No dia do crime, eu estava a 400 km de Belo Horizonte, com compromissos em Cuiabá, tratando justamente de ameaças ligadas à disputa de terras”, explica.

Hoje, mais de um ano após o episódio, ela busca justiça e o direito de recomeçar. “A prisão passou, mas a marca continua. Minha liberdade ainda não é plena.”

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