O médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, responsável pela cirurgia plástica que terminou com a morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, em Cuiabá, também figura em uma ação judicial que investiga as circunstâncias da morte de outra paciente, registrada em 2013. O processo tramita na 1ª Vara Cível de Várzea Grande e envolve um pedido de indenização de R$ 500 mil contra a Unimed Cuiabá.
A ação foi ajuizada por Alexandre Servelhére de Rezende, marido de Eliane Aparecida de Queiroz de Rezende, que morreu em 14 de agosto de 2013. Segundo a petição apresentada à Justiça, a paciente não teria recebido atendimento compatível com a gravidade de seu estado de saúde.
O caso ainda está em tramitação, e a Justiça determinou a realização de uma perícia médica para esclarecer as circunstâncias do atendimento e verificar se eventuais falhas podem ter contribuído para o óbito.
Marido aponta possíveis falhas no atendimento
De acordo com os autos, Eliane tinha artrite de Takayasu, doença inflamatória rara que afeta os vasos sanguíneos. Entre julho e agosto de 2013, ela teria procurado repetidamente o pronto atendimento da Unimed em razão de problemas respiratórios.
O marido sustenta que as medidas necessárias para tratar o quadro clínico não teriam sido adotadas em tempo hábil, incluindo a internação hospitalar.
A Unimed Cuiabá, por sua vez, contestou as acusações e negou responsabilidade pela morte. A operadora também questionou a existência de falhas no atendimento que pudessem ter contribuído para o óbito, além de contestar o valor da indenização solicitada.
Durante o processo, a empresa pediu a inclusão de quatro médicos que participaram dos atendimentos: Nadia dos Anjos Fernandes, Fabiana Mariela Diaz Lafoz, Josenalda Felix Flores Aratani e Euller Preza. O pedido foi aceito pela Justiça.
Justiça determina perícia médica
Os profissionais que apresentaram defesa negaram a ocorrência de erros médicos e afirmaram que os atendimentos foram realizados adequadamente. Também contestaram a existência de negligência, imprudência ou imperícia e a comprovação de uma relação entre as condutas médicas e a morte da paciente.
As defesas argumentaram ainda que a responsabilização individual dos profissionais depende da comprovação de culpa.
Em decisão recente, a juíza Ester Belém Nunes, da 1ª Vara Cível de Várzea Grande, determinou a realização de uma perícia médica.
O trabalho deverá analisar se os atendimentos prestados foram compatíveis com o quadro clínico de Eliane, se os procedimentos adotados consideraram suas condições de saúde e se houve alguma falha capaz de contribuir para a morte.
Até o momento, a ação não foi julgada definitivamente. Portanto, não há decisão final sobre a responsabilidade da operadora de saúde ou dos médicos envolvidos.
Médico também é investigado após morte de jovem em Cuiabá
O nome de Euller Preza voltou à repercussão pública após a morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, na sexta-feira (16), em Cuiabá.
A jovem foi submetida a uma cirurgia plástica no Hospital Geral e Maternidade, que incluía a colocação de próteses mamárias e uma lipoescultura. Durante o procedimento, ela sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Segundo as informações divulgadas, a equipe médica realizou manobras de reanimação por aproximadamente duas horas, mas a paciente não resistiu.
A Polícia Civil aguarda os laudos periciais para esclarecer as circunstâncias da morte e definir os encaminhamentos da investigação, incluindo a avaliação sobre eventual responsabilidade criminal, dolosa ou culposa.
Em manifestação divulgada por seu advogado, Euller Preza afirmou que a paciente havia passado pelas avaliações pré-operatórias exigidas e que a cirurgia era realizada em ambiente hospitalar adequado, com profissionais habilitados.
Segundo a defesa, uma intercorrência súbita ocorreu durante o procedimento, que foi interrompido para a realização das manobras de reanimação. O médico declarou que a causa da morte deverá ser esclarecida pelas autoridades e afirmou estar à disposição para colaborar com as investigações.
Médico tem condenação em outro processo
Além das ações em andamento, Euller Preza foi condenado pela Justiça de Mato Grosso, em junho de 2025, a pagar R$ 42,1 mil a uma paciente por danos materiais, morais e estéticos. Conforme as informações fornecidas, a condenação foi mantida após recurso.
O médico também responde a outros processos relacionados a procedimentos estéticos. Entre as ações mencionadas estão relatos de supostos danos após rinoplastia, alegação de cumprimento parcial de um pacote de procedimentos avaliado em R$ 40 mil e reclamações sobre possíveis assimetrias, deformidades e lesões após cirurgias mamárias e corporais.
As ações possuem situações processuais diferentes. Nos processos ainda em andamento, as alegações das partes não representam, por si só, comprovação de erro médico ou responsabilidade profissional.
Casos dependem de esclarecimentos técnicos e judiciais
A perícia determinada no processo relacionado à morte de Eliane deverá contribuir para esclarecer a adequação dos atendimentos realizados em 2013 e verificar se houve alguma conduta que possa ter influenciado o desfecho clínico.
Já a investigação sobre a morte de Lurdes depende dos resultados dos exames periciais e da apuração conduzida pela Polícia Civil.
Os dois casos possuem procedimentos próprios e devem ser analisados de acordo com suas respectivas provas. Até que haja conclusões definitivas, é necessário distinguir as alegações apresentadas nos processos das responsabilidades efetivamente reconhecidas pela Justiça.




