A realização da primeira Copa do Mundo Feminina na América do Sul, prevista para 2027 no Brasil, representa um marco para o futebol feminino e amplia a visibilidade de uma modalidade que passou por décadas de restrições e transformações.
O torneio será disputado em oito cidades brasileiras e reunirá 32 seleções. A dimensão do evento também coloca em evidência os avanços conquistados pelas mulheres no futebol e os obstáculos que ainda precisam ser enfrentados.
A realidade das jogadoras brasileiras mudou significativamente ao longo das últimas décadas. As primeiras atletas que defenderam a Seleção Brasileira não contavam com salários e, muitas vezes, recebiam apenas ajuda de custo, inclusive nos clubes. Atualmente, o futebol feminino conta com competições nacionais e internacionais, categorias de base e uma estrutura profissional que envolve atletas e profissionais de diferentes áreas.
Mesmo com essa evolução, o preconceito e o machismo ainda representam desafios. Competições de várzea voltadas às mulheres e espaços de formação e treinamento exclusivos para meninas continuam sendo menos frequentes e, em muitos casos, dependem de iniciativas específicas.
Uma história marcada por proibições
O crescimento atual da modalidade ganha ainda mais significado quando considerado o passado do futebol feminino no Brasil. Entre as décadas de 1940 e 1980, as mulheres eram proibidas por lei de praticar futebol no país, sob a justificativa de que a atividade poderia prejudicar sua saúde física.
Hoje, meninas e jovens têm maior possibilidade de buscar uma trajetória no esporte, seja profissionalmente ou simplesmente pelo prazer de jogar. Ainda existem resistências dentro das famílias e da sociedade, mas a presença feminina nos campos tornou-se cada vez mais visível.
Esse processo também permitiu reconhecer a contribuição das pioneiras que abriram espaço para as novas gerações. Muitas delas continuam ligadas ao futebol mesmo depois de encerrarem suas carreiras como jogadoras.
Márcia Honório, integrante da primeira Seleção Brasileira a disputar uma Copa do Mundo, relembra a emoção de representar o país e a expectativa de que sua participação ajudasse a ampliar o reconhecimento do futebol feminino.
“Quando você pega um telegrama daquele e se vê convocada, e quando está fora do seu país e ouve o Hino Nacional, é emocionante até hoje. A gente gostava e tinha garra, uma vontade de querer ganhar para chegar ao país e falar assim: ‘ó, agora vocês precisam ajudar o futebol feminino’”, contou.
Pioneiras e novas gerações
A ex-jogadora Formiga, recordista de participações pela Seleção Brasileira em Copas do Mundo, também relembra as dificuldades enfrentadas no início da trajetória.
Ela conta que, quando começou a jogar futebol, acreditava ser a única menina interessada pelo esporte entre os meninos. Com o tempo, percebeu que outras mulheres também enfrentavam situações semelhantes e que sua experiência fazia parte de uma realidade mais ampla.
A jornalista Milly Lacombe destaca a importância da união entre as mulheres para as conquistas alcançadas pela modalidade. Para ela, a evolução do futebol feminino está relacionada também à compreensão de que as mudanças dependem da participação coletiva.
O cenário atual é visto com expectativa positiva por atletas, profissionais e pessoas envolvidas com a modalidade, especialmente diante da realização da Copa do Mundo de 2027 no Brasil.
Para Lu Leal, treinadora de equipes de várzea, o principal desejo é que as novas gerações tenham condições de alcançar seus objetivos e encontrem oportunidades para desenvolver suas carreiras no futebol.
A trajetória do futebol feminino brasileiro mostra uma modalidade que deixou para trás parte das restrições que marcaram sua história, mas que ainda busca ampliar oportunidades, estruturas e espaços para que meninas e mulheres possam jogar e trabalhar no esporte.
**Informações via Agência Brasil




