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NOTÍCIAAnvisa investiga 13 casos de doença ocular em usuários de medicamentos GLP-1

Anvisa investiga 13 casos de doença ocular em usuários de medicamentos GLP-1

Notificações envolvem Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro; agência ressalta que relação entre os medicamentos e a perda de visão ainda não foi comprovada

🕒 Publicado em 28/09/2026 às 15:24

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está analisando 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NOIA) em pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.

Os registros envolvem cinco notificações relacionadas ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro. Ao todo, 12 notificações estão associadas à semaglutida e uma à tirzepatida.

A Anvisa ressalta que os casos permanecem sob investigação. A existência de uma notificação durante o uso de determinado medicamento não significa, por si só, que o tratamento tenha provocado a doença ou a perda de visão.

O que é a NOIA

A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica é uma condição rara que afeta o nervo óptico, estrutura responsável por transmitir ao cérebro as informações captadas pelos olhos.

O problema ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para essa região, podendo provocar perda visual repentina, geralmente sem dor e, em alguns casos, com consequências permanentes.

A condição exige atenção especialmente diante de uma alteração súbita da visão. Pessoas que apresentarem perda visual inesperada devem procurar avaliação médica rapidamente.

Quais medicamentos estão envolvidos

As notificações analisadas pela Anvisa estão distribuídas da seguinte forma:

  • Ozempic: 5 casos;
  • Wegovy: 3 casos;
  • Wegovy FlexTouch: 2 casos;
  • Rybelsus: 2 casos;
  • Mounjaro: 1 caso.

Ozempic, Wegovy e Rybelsus utilizam semaglutida como princípio ativo. O Mounjaro utiliza tirzepatida.

Anvisa já havia emitido alerta

A investigação atual ocorre após a Anvisa já ter incluído a NOIA entre as reações adversas muito raras relacionadas aos medicamentos à base de semaglutida.

Em junho de 2025, a agência determinou a inclusão da condição nas bulas de Ozempic, Rybelsus e Wegovy. Naquele momento, o sistema brasileiro de farmacovigilância contabilizava 52 notificações de suspeitas de distúrbios oculares relacionadas à semaglutida.

A agência continua acompanhando as notificações para avaliar os dados disponíveis e verificar se existe uma associação consistente entre os tratamentos e os eventos registrados.

Fabricantes se manifestam

A Novo Nordisk, responsável por Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirmou que a segurança dos pacientes é uma prioridade e que os dados disponíveis não demonstraram aumento da incidência de NOIA nos ensaios clínicos realizados com semaglutida.

A empresa também informou que acompanha continuamente as informações de segurança relacionadas aos medicamentos e mantém o monitoramento dos dados de farmacovigilância.

Já a Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que acompanha e avalia continuamente as informações de segurança dos medicamentos e mantém diálogo com as autoridades regulatórias sobre possíveis questões relacionadas aos tratamentos, incluindo eventos oftalmológicos.

O que os pacientes devem saber

A investigação da Anvisa não significa que os medicamentos tenham sido confirmados como causa da NOIA. Os casos ainda precisam ser avaliados dentro do processo de farmacovigilância.

Por isso, pacientes que utilizam medicamentos da classe dos GLP-1 não devem interromper o tratamento por conta própria. Qualquer mudança na medicação deve ser discutida com o profissional responsável pelo acompanhamento.

Alterações repentinas na visão, principalmente perda visual súbita, exigem avaliação médica imediata.

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